domingo, 27 de fevereiro de 2011

ele e ela.


 Conheceram-se no metro de Paris. Ele viu aquela menina linda e sozinha, que parecia perdida folhando um guia turístico. Ela percebeu aquele moço atraente a observando. Ele se aproximou e falou em árabe. Ela respondeu em inglês que seu árabe era ruim. Ele, como todo árabe que é sempre curioso, perguntou de onde ela era.
 Ela como toda menina judia que fica sem jeito de responder, assim... Tão rápido, disse meio com receio: “Israelense”. Ele por um segundo ficou sério. Depois sorriram juntos. E ele continuou curioso, ela parecia uma libanesa típica. Os olhos com os longos cílios, e aquele olhar meio perdido que ao mesmo tempo encara fundo o interlocutor, o nariz, o tom da pele. “Mas você é árabe?”
 “Meus pais são da sua terra ela respondeu”.
 “Libaneses?”
 “Sim.”
 Desceram ele e ela juntos na estação de Saint Michel e três horas depois bebiam na margem do Rio Sena um vinho e se beijavam em frente à catedral de Notre Dame. Ele mulçumano e ela judia.
 No dia seguinte ele a convidou para jantar num chinês. Ela aceitou e no terceiro dia estavam namorando. Ela acabara de chegar de Londres. Ele conhecia Paris desde criança. Ela estudava artes plásticas e ele letras.
 Duas semanas depois estavam morando juntos. Ela quis saber como era o Líbano. Ele contou histórias parecidas com as da avó dela. As praias de Beirute com as montanhas cobertas de neve atrás. Os cedros que há milênios viram os Fenícios saírem com seus barcos. Os macedônicos conquistarem Bybolus. Os Romanos construírem Balbeck. Saladim recuar dos cruzados. Depois os bizantinos, os islâmicos.
 Ela chorou ao ouvir do vale do Becka e seus vinhedos. Sua avó querida tinha tanta saudade daquela terra.
 Um dia quando ela chegou em casa, a bandeira de Israel que ela guardava na mala estava pendurada na parede. Ela sabia o quanto aquele gesto era uma prova de amor. Mas ela retirou a bandeira e colocou um pôster do Matisse no lugar. Bem em cima do piano dele.
 “Aqui nesta casa somos eu e você.” Ela disse.
 Chegaram à conclusão de que as avós cozinhavam a mesma comida. E ele perguntou ao pai por telefone se o pai conhecia a família dela. Sim, a irmã do pai, sua tia fora amiga da tia dela quando as duas eram garotas em Beirute. O pai apesar de liberal não gostou do filho se envolver com ela.
 Ele lia livros budistas. E ela a biografia de São Francisco de Assis.  
 Um dia ele foi a uma festa, ela ficou em casa, precisava estudar. Um Italiano nessa noite perguntou pela sua maravilhosa irmã. “Mas eu não tenho irmã.” O italiano esperto como todo italiano logo percebeu a gafe e se retirou.
 Realmente eram muito parecidos ele e ela. Os parisienses mais sensíveis acreditavam tratar-se, o casal,  de  libaneses cristãos. Ou no máximo irmãos Argentinos.
 Foi o melhor ano da vida dos dois. Iriam passar algumas semanas com suas famílias e retornariam para casa, em Paris. Para se casarem.
 Um acontecimento imprevisível fez com que ela fosse chamada ao norte de Israel para ajudar seu país.
 Conversaram pelo skype. Ele estava a menos de 200 quilômetros em Beirute.
 “Feliz ano novo cristão ela disse.”
 “Feliz ano novo cristão”. Ele respondeu e depois riram.
 Ela pediu que ele tomasse cuidado e evitasse passar por qualquer ponte. Ele disse que o seu bairro era mais seguro que a Europa.
 Ela colocou o uniforme por cima da sua camiseta Gap. E tomou seu café do Starbucks.  Ele colocou o cachecol da Zara que ela lhe dera. Depois com a estrela de David dela no bolso para protegê-lo seguiu no Audi da família para uma balada.
 Ela entrou no seu turno. Era responsável como muitas meninas pelo rádio do exercito.
 Ele estava na noite de Beirute. Considerada a melhor noite do mundo, claro quando se tem dinheiro. Na pista e já bêbado sentiu sua perna queimando. Com o som da pista não ouvira o barulho dos caças. Depois não sentiu mais nada.
 Ela só ouviu a sirene antimíssil e depois não ouviu mais nada, não teve tempo de correr.
 Ela tinha vinte e dois e ele vinte e quatro.  

 Explicações:

 A primeira vez que fui a Beirute, há uns 12 anos, parecia uma cidade arrasada por um meteoro, ou terremoto. Ela estava saindo da Guerra civil. Voltei há uma semana e começo a concordar com o poeta Khalil Gibran:
 “Beirute mil vezes destruída, mil vezes reconstruída”.
 Minha bisa avó morreu no navio a caminho do Brasil. Nunca se soube ao certo a causa da morte. Seu corpo foi jogado ao mar na costa da África. Ela não tinha vinte anos.
 Meu avô, seu irmão e irmã chegaram muito crianças ao porto de Santos aonde meu bisa avô João Chacra, homem muito bonito, esperava por eles sem saber que a esposa morrera. Meu avô começou a trabalhar com oito anos e meu pai talvez tenha sido em milênios no nosso ramo dos Chacra o primeiro a conseguir se formar numa universidade. Sendo que a universidade Americana de Beirute é de 1864.
 Meu avô Adib Chacra, diferente da minha avó, nunca voltou ao Líbano. Gostava de arroz e feijão e se considerava Brasileiro. Dizia para o meu pai que era bom fazer negócio com Judeus, pois é um povo muito honesto.
 Sempre tive uma relação de tristeza com o Líbano. De pena dele. Não me considero Libanês, nem o poderia, não o sou. Tristeza por que sempre estão destruindo Beirute. Por outro lado um pequeno país de três milhões e meio de habitantes que sobrevive no meio de uma miscelânea cultural e bélica, sendo que ele, o Líbano passou por todos os períodos da história da humanidade, merece um olhar atento. Não poucas vezes acontecimentos dos mais sofisticados acontecem lá. Mesmo assim existe miséria e intolerância.
 Em 2006 eu e minha namorada na época que também é descendente de libaneses, fomos a uma manifestação na Praça da Sé para o fim dos bombardeios Israelenses sobre o Líbano.
 Ao chegar lá, alguns manifestantes nos cercaram na escadaria. Demorei em entender o que estava acontecendo. Queriam saber quem éramos. Uma menina se aproximou e disse para os outros:
 “Ele e ela são os únicos cristãos aqui.”
 E realmente éramos. As dezenas de outras pessoas em frente à Catedral metropolitana eram mulçumanas. Foi aí que eu entendi. O Líbano é tão cristão, quanto islâmico, quanto judeu.
 Acredito que num curto espaço de tempo vai estar na moda ser Árabe. Ou ainda árabe vai estar na moda. Seja árabe, islâmico, judeu, cristão, ateu ou até árabe budista. Porque o que faz uma pessoa ser árabe não é a religião. É antes de tudo a língua, a curiosidade, o olhar e principalmente, acreditem ou não, a fraternidade. Vale! 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Vinte anos.


 Bruno estava decidido iria terminar o namoro. Só não sabia se antes do francês ou depois. Conhecera Gabi no cursinho. Magra, alta e linda. Todos eram apaixonados por ela, inclusive os professores e até algumas professoras. 
 Um dia ela lhe disse que ele deveria ter um estilo, faltava isso nele. Estilo? Mas estilo é pra gente com grana e alta. Eu sou duro e baixinho, foi o que ele pensou. 
 "Veja eu, por exemplo. Eu sou uma Roqueira da Daslu. Entendeu? Esse é o meu estilo." Ela declarou.
 "Eu sou um cara que gosta de carro, de cerveja e futebol." Ele se defendeu.
 "Mas você nem tem carro, usa o do seu irmão." Ela contra atacou. 
 Meses depois, bêbado de sono, ele vê Gabi entrar na sala de aula, completamente mudada. Cabelo fashion, esmaltes fortes, colares e roupas modernetes, não era mais uma roqueira e sim uma budista-contemporânea, como ela mesma se definiu. Depois vieram as tatuagens. O sexo também mudou, Gabi dizia que ele era menino e não fazia nada direito. Ficou mais burocrático também. 
 Conheceu então Marcela. Uma mina muito simpática, que sentava atrás dele. Corinthiana adorava uma cerveja e um sambão. Gostava de carros e principalmente caminhões. 
 Um dia ele levou Marcela pra casa. Depois de um dogão ela abriu o jogo:
 "Quer saber acho a sua mina meio sem bunda." 
 Meu Deus! Foi aí que ele se deu conta, Marcela era um amigo. Marcela tinha um puta estilo. Algo under-ground. Mas era um amigo. 
 Era de tarde um dia de verão. O porteiro talvez tivesse avisado a empregada que ele ia subir. Mas naqueles tempos as coisas eram menos paranóicas. Será? 
 Gabi pega de surpresa o recebeu na porta.
 "Olha Gabi eu andei pensando... O problema é comigo não com você... Deixa eu entrar." Tentou forçar a porta. Mas Gabi segurou.
 "Depois a gente conversa. Você não tinha aula de francês agora?" 
 Quando ela ia empurrando a porta, ele vê o Mário vindo sem camisa. Ma o que o Mário seu amigo estaria fazendo na casa da sua namorada de tarde? Vindo dos quartos e sem camisa? 
 "Depois a gente a conversa." Ela disse isso e fechou a porta. 
 Hoje dezesseis anos depois vi Gabi num restaurante sofisticado dos jardins. Ela estava de shorts jeans e uma bonita camisa. Segurava uma bolsa bem cara e continuava bem apresentável. Mas muito magra. Não havia estilo nenhum, nem nada que não a fizesse uma balsaca alienada, vazia,  com um toque de perua elitista. 
 Aos vinte anos todos olhavam pra ela. Hoje todos devem olhar e imaginar que menina linda deve ter sido aos vinte. 
 Daquele tempo de cursinho vejo muito a Marcela. Ela sempre me dá um oi discreto. Ela é umas das principais formadoras de opinião em moda do país. 
 Mário está praticamente careca e com dois filhos. Já o Bruno, de dois em dois anos, eu o encontrava com diferentes novas namoradas de vinte. Não o vejo faz tempo. 
 Certa vez nós cinco fomos para a Bahia. Já tínhamos vinte anos e cada um numa faculdade diferente. Conhecêramos-nos no cursinho. 
 Sonhávamos com um Brasil de esquerda. E quatro de nós sonhavam com Gabi. 
 Enquanto ela discutia com a jovem hostess  de vinte anos eu me aproximei. Ela me deu oi, me olhou de cima pra baixo, depois se virou e junto com uma amiga falavam ao celular e discutiam com a hostess. 
 Gabi não me reconheceu. Cheguei em casa me olhei no espelho e também não me reconheci. 
 Onde está aquele jovem de vinte anos que disse naquele verão na Bahia que seria diretor de cinema? Que mudaria o Brasil? Transformaria o mundo. Será que era só mais um bêbado? 
 Abro então o facebook e lá está a mensagem de Gabi:
 "Você Leonardo continua o mesmo."
 "O mesmo?" Eu respondo a menssagem.
 ”O mesmo convencido. As minhas amigas te acharam um gatinho. Eu fiquei até nervosa, quase desmaiei. Você não mudou nada, me fez lembrar até daquele verão na Bahia que eu ficava com aqueles dois horrorosos só pra ver se você me notava. E você sempre escorregando... Até budista eu já fui pra ver se te agradava!!! Até roqueira. Lembra? Enfim adorei te ver. Quando quiser tomar um café, me ligue 9632-4892. 
 E a propósito você sabia que o Marcelão agora manda na moda do Brasil? Podíamos juntar todos de novo, né? Beijo e adorei te ver. Pena que vc... Beijo sabonete!”
 O que eu concluo que talvez eu não fosse tão revolucionário aos vinte anos. E que embora não soubesse não me faltava nada. Estilo nenhum.


domingo, 30 de janeiro de 2011

Amor à primeira vista.


 Minha missão ou intenção era clara. Entrar na loja da operadora de telefonia e explodir tudo. Radicalismo. Eu sou uma pessoa muito tranqüila.
 Na verdade eu sabia que estava fazendo um serviço de utilidade pública, já que a ANATEL não funciona. Não era uma questão só particular, talvez por isso eu parecesse calmo zen.
 Ela percebeu de longe o extremista. Saída do seriado 24 horas, num gesto pequeno fez com que as outras funcionárias se afastassem de mim. Tinha coincidentemente 24 anos de idade e cinco de experiência em negociações.
 Levou-me para uma sala e disse-me que se chamava Leidiane.
 “Como a personagem do Ricardo III?”
 Enquanto eu falava sobre Shakespeare e a incrível cena de Lady Anne com Ricardo III e os atores que já vira fazendo, ela com seus olhos verdes e rosto de Mangá japonês me encarava sem expressar nada. Procurava nos seus arquivos de memória como classificar aquele cliente.
 “Melhor eu falar qual é a minha queixa, né?”
 Nessa altura eu já sabia que ela era casada ou morava junto com o mesmo rapaz há seis anos. Tinha um filho e no fundo estava morrendo de vontade de rir. Eu mesmo nem me lembrava muito qual era ou eram as minhas queixas:
 Não ser casado? Não ter ninguém que se preocupe com o que vou comer, almoçar, jantar? Minha mãe não está nem aí. Tive uma vez uma fisioterapeuta que cuidou do meu ombro. Ela realmente se interessava: “Como foi o seu dia?” “Melhorou?” Me tocava e se preocupava. Se a fisioterapia não terminasse, ela corria o risco de tornar-se minha esposa.
 Leidiane percebeu que estava ganhando fácil na negociação. Também o que eu mais gosto no mundo são mulheres jovens, bonitas, com personalidade e inteligentes.  Leidiane é daquelas pessoas perigosas que tem um equilíbrio perfeito entre o emocional e o racional. Eu reconheço fácil esse tipo, porque eu também sou assim.
 Ela percebeu que eu ia detonar. Discou para alguém e saiu da sala. Como no seriado 24 horas, ela disse:
 “Ele vai explodir! Temos que dar o que ele quer.”
 A gente nunca sabe o dia em que vamos nos apaixonar. Muita gente, eu não sei como não acredita em amor à primeira vista.
 Conversando com esse tipo de ser humano na maioria das vezes eles me questionam que não entram nesse caminho fácil.
 Como se fosse uma escolha minha. Estou lá, coloquei qualquer roupa, com uma espinha inesperada, ninguém me avisou que seria hoje o dia e eis que ela surge do nada.    
 Não leitora não me apaixonei por Leidiane. Só tive vontade não de ter uma namorada, mas sim uma esposa como ela. Batalhadora, branquinha, loira, uma bonequinha ao mesmo tempo firme e perigosa.
 Ao se despedir essa mulher se quebrou numa menina deu uma risada, depois parou. Olhou-me e deu um sorriso. Não resisti dei dois beijinhos (no rosto) e segui.
 Eu estou falando de outra menina. Uma que eu nem deveria me apaixonar. Alias, eu sempre tenho um movimento contrário. Um movimento de tentar fugir. Acontece que depois da primeira vista é como uma flechada, nossos olhos vão para ela como imãs.
 Por mais que disfarcemos e tentamos olhar em outras direções, falar de outros assuntos, nossa cabeça vai registrando cada detalhe. Nosso olhar retorna. Os pelos do braço dela. O jeito dela andar, os cabelos despenteados. A voz que entra dentro da gente e sentimos todo nosso corpo se arrepiar. As roupas.
 E eu pra variar fico um monstro, grosso e babaca. E apesar de só querer uma coisa a de me declarar ali mesmo, fico pedindo que acabe logo. Que ela me ache realmente um babaca e pronto.
 E talvez nunca me declare. E talvez por uns segundos eu acredite no que eu disse agora mesmo: Nunca me declare.
 E mesmo na São Paulo no século vinte e um, eu sou um personagem de Shakespeare.
 Sim porque quando nos apaixonamos a primeira vista, nós não aceitamos. Eu pelo menos entro em pânico.
 Começar a gostar dos defeitos da pessoa e achar aqueles defeitos atraentes. 
 E querer só aquela pessoa. E querer aqueles defeitos pra mim. E de repente vem àquela dúvida:
  E se o cupido jogou só uma flecha? Só em mim?
  Menina eu não pude falar antes. Mas falo agora. Você é linda e eu estou apaixonado por você. Não sou poeta, o que não sei se é bom ruim, tem tanta poesia disponível... O que eu vi em você? O que eu quero com você?
 A possibilidade de ser feliz. De o mundo ser mais interessante. Quem sabe algumas crônicas. Fazer bem a você. Deixar-te ainda mais feliz também. E daqui muitos e muitos anos, poder dizer:
 “Foi amor à primeira vista.” 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Oportunidade única de dizer NÃO.



 Estávamos num japonês e ela me falou assim do nada:
  “Eu disse não pra globo.”
 Joana é linda. Eu a chamarei de Joana. Na verdade seu nome é outro. Ela me ligou, somos amigos antigos. Às vezes bem próximos, outras quando um dos dois está namorando nos afastamos e depois voltamos a nos ver.
 Joana é atriz e nós não somos amantes, lamentavelmente.
 “Como assim? Não pra rede Globo de televisão? Você está louca!”
 Essa menina de trinta anos recusara o que a maioria dos atores, uns 99,99 por cento sonham. Novela na Globo. Não digo sonham, digo não negariam. Ah sei lá. Falo mais por mim. Se fosse comigo já estaria em Ipanema.
 “Leo, eu recebi a proposta. Fui andar no Ibirapuera e fiquei refletindo: Fazer novela... Talvez eu nunca mais tenha uma oportunidade dessas na vida. Algo como oportunidade única. Seria famosa.”
 “Sim. Você nem faz idéia de quanto.” – Eu disse.
 Ela continuou: “Dinheiro nunca me faltou. Eu tive até uma infância rica. O cara que eu amo não me ama. E se ele se interessasse por mim porque eu estou na novela, na mesma hora eu pararia de amá-lo.”
 “Daí você concluiu que não havia interesses nem no campo econômico nem no pessoal?”
 Não foi só isso. Joana que tem um corpo, não daqueles corpos só gostosos, mas um corpo gostoso e elegante, formoso assim como seu rosto também. Disse que a sensação de dizer não para uma oportunidade unica é também uma unica oportunidade. 
 “Essa sensação te dá um bem estar. É como se eu de repente, me torna-se livre. Livre de algo que eu sempre quis, mas que não tinha escolha. Depois disso eu sou o que eu quiser ser.”
 “Quanta filosofia! Você anda lendo: (Quando Nietzsche chorou)? Vai fazer teatro alternativo para o resto da vida?”
 Não havia dúvidas nas suas palavras, nem arrependimentos. Foi quando um casal se aproximou sorrindo. Chegaram até nossa mesa. A mulher disse para Joana:
 “Você não é aquela atriz da peça Fantástica?”
  Foi aí que eu reconheci era uma atriz da globo de uns quarenta anos famosérrima e seu marido diretor de cinema.
 “Sou.”
 “Nós amamos. Por sua causa menina eu larguei tudo no Rio e vou fazer teatro esse ano e o próximo!”
 O marido o diretor, deu um cartão para Joana. Disseram que o que Joana precisasse eles a ajudariam. Quiseram ainda saber dos contatos dela para mandar um roteiro. Depois ainda a convidaram para almoçar na casa deles.
 “Este é o Leo meu amigo”
 “Prazer.”
 E o casal se foi. Joana sorria, como alguém que triunfou por recusar fazer parte do establishment.
 “Leo depois tem o seguinte, eu gosto de ir ao Ibirapuera. Na Praça Roosevelt, do Genésio, do Espaço Unibanco de Cinema... Fazer o que na Barra da Tijuca? Com tanto espetáculo aqui que eu quero assistir!”
 Mais um pouco de sake e um pouco mais ainda. Fomos para a minha casa. Joana e aquele corpo lindo na minha frente. Aquela mulher maravilhosa que nunca me dera a oportunidade e agora se entregava só pra mim. O jazz tocando e eu:
 “Coloca a roupa.”
 “Como?”
 “Eu também Joana. Eu também quero saber como é a sensação.” 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Alfredo!

 As mulheres mais lidas que já vi foram no cinema. Com exceção deste domingo último. Ontem. Uma mulher ao meu lado me tirava a concentração do filme do Coppola.
 Quando eu comecei este blog eu prometi pra mim mesmo que não falaria de assuntos, notícias ou fatos do dia. Evitaria opiniões e polemicas. E vou cumprir a minha promessa a mim mesmo.
 Pra isso preciso da ajuda de quatro pessoas: João Bethencourt.
 -Presente.
 Oliver Hardy.
 -Presente.
 Stan Laurel.
 -Presente.
 E claro a menina, ops quer dizer a mulher, que sentou ao meu lado no cinema domingo.

 A função ou as funções da sala de cinema:

 Quando aberto é um excelente pretexto para convidar uma moça para sair. Isso desde a época dos meus avós. Ao chamar a moça para ver um filme no cinema você rapaz estará colocando a moça sentada ao seu lado. Logo sua mão estará ao alcance da mão dela.
 Terá assunto para depois da sessão. Poderão comer algo e até marcar um próximo filme.
 Mas que seja um cinema de rua. Ir a um shopping não terá o mesmo romantismo de ouvir um tango na calçada, como eu ouvi ontem. Nem ver livros em sebos, as pessoas nos bares e se sentir um cinéfilo. Comprar ainda uma flor para moça.

 Quando fechado é um alívio aos direitistas. Os bares se esvaziam, e os restaurantes também. Não se vêem beijos nas ruas, nem músicos, nem sebos. Nem sonhos.

 Um rapaz estudou direto no sul dos EUA. Outro era filho de atores ingleses de vaudeville. Foram apresentados. Deram-se as mãos. E não imaginaram que aquele seria um dos momentos mais importantes da história da humanidade.
 Esses dois então jovens rapazes criaram uma maneira de transformar adultos em crianças em questão de segundos.

 Sempre que eu ouço falar em progresso, mudanças, transformações eu lembro deles. Porque eles são e sempre serão atuais. Como uma criança é. Como são o Gordo e o Magro. 

 Não tenho certeza se ela percebeu que eu a assistia assistindo ao filme. Um perfil uma interpretação digna de Cannes. Antes de começar enquanto subíamos à escada, ela perguntou se eu também ficava nervoso antes de um filme.
 Isso porque eu disse que fico ansioso antes de uma peça de teatro, mesmo quando eu sou só platéia.

 A coisa mais estranha é que cinema pra mim é muito mais antigo do que teatro. A primeira vez que eu fui sozinho ao cinema eu tinha 11 anos. Teatro eu acho que foi com 20.

 Um dia as salas de cinema não terão mais nomes. Não terão história. Nem programação. Esse dia é hoje. Uma pena.

 Um dia, talvez em breve, eu não terei mais notícias daquele espanhol filho de artistas de circo e aquele pequeno ator negro, o interprete mais inusitado da tragédia de Veneza.

 Pelo menos nesse domingo, eles, Oscarito e Grande Otelo, me deram uma piscadinha enquanto eu subia com ela a escada do cinema.

 Alfredo!  Alfredo! Alfredo!  

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A Rita da tia Márcia.

 Um amigo me liga e diz que vai abandonar tudo. Tudo mesmo:
 “Leo, eu larguei minha mulher, meus filhos, minha casa a empresa da família. E vou seguir meu sonho. Igual você”.
 Igual a mim? 
 Combinamos de ir num bar. Meu amigo parecia mesmo muito alterado. Seu estado eufórico era seguido de tremedeiras e muita falação.
 “Minha faculdade foi um erro. Meus filhos... Eu nem queria filhos, foi minha esposa quem quis. Foi ela também que quis dar esses nomes franceses para eles. Morar num apartamento neoclássico. Trabalhar nessa fábrica de embalagens do meu pai. Casa na Riviera de São Lourenço. Tudo um erro.”
 Coitado do meu amigo achou que encontraria um aliado em mim. Afinal temos a mesma idade e eu nunca entrei numa faculdade de administração, nem nunca casei, ou freqüento Jurerê internacional, Fernando de Noronha e a Daslu.
 “Mas a minha vida não é melhor que a sua”. Tentei explicar lhe.
 “Você tem as gatinhas novinhas de vinte, faz as baladas durante a semana, come quem quer... Atrizes, universitárias, cantoras e garçonetes”.  
 Ele me convenceu que sua felicidade estava em concretizar dois sonhos: O primeiro era se tornar cantor sertanejo.
 “Podemos formar uma dupla Leo. Seu nome é bom pra dupla sertaneja: (Vitor e Leo), (Leandro e Leonardo). Que tal: Rafael e Di Caprio?”
 Eu lhe expliquei que não tenho talento pra música. “Mas e o segundo sonho?”
 Foi aí que veio a bomba.
 “Eu sou apaixonado desde sempre pela Rita da tia Márcia”.
 Disse assim, como se eu soubesse lá quem é a Rita da tia Márcia.
 Contou-me ser  uma mulher hoje de trinta e seis anos. A tia Márcia é a melhor amiga da sua mãe. Ele dera um beijo na Rita há exatos vinte anos e depois nunca mais conversara com ela. Que a vira no casamento do irmão dela há duas semanas e ainda era apaixonado.
 “Mas ela, essa Rita é casada? É solteira?”
 “Minha mãe diz que nunca se casou. Que nunca soube de nenhum namorado”.
 “Então vá atrás dela”.
 Duas semanas depois toca a minha campainha de madrugada. Abri a porta, era ele, que estava com duas mulheres. Uma de trinta e seis, lindíssima. Alta, magra, com lindos peitos enormes e cabelos compridos e uma outra bem mais jovem talvez de vinte e cinco. Lábios carnudos, baixinha e cabelos curtos, mas também bem atraente. Os três riam.
 Rafael me explicou que marcara com Rita em um bar. Ele estava muito nervoso. Foi logo contando tudo de cara e Rita lhe dera um abraço. Mostrou-se lisonjeada, mas ao contrário do que a tia Márcia e todos imaginavam, ela era casada sim e muito bem casada. Com Cíntia. A dos lábios carnudos. Agora todos riam.
 No dia seguinte, um sábado, Rafael ainda de ressaca voltou pra casa feliz, louco para reencontrar a sua amada esposa. Mas quem abriu a porta foi Rui.
 O Rui da facu. A esposa de Rafael disse que quando Rafael se mudou para o Flat ela adicionou o Rui no facebook e as coisas rolaram. Ela sempre fora afinzassa dele. Ela agradeceu ao agora futuro ex-marido por ter dado a ela um pretexto e coragem de ir atrás do grande amor da sua vida.
 Vanessa e Rui se casaram.
 Hoje, um ano depois eu fui a um show do Rafa. Sua estréia. Ele se tornou cantor de MPB. E não é que ele leva jeito. Casa cheia, aplausos. E beijos de uma gatinha de vinte aninhos. Amiga da Cíntia da Rita. Alias a Cíntia dividiu o palco com ele. Ela uma puta cantora. Pena que é casada.
 Eu também leitor tenho dois sonhos. Mas são para outra vida.
 O primeiro é ser fazendeiro. O segundo é casar com a minha “Rita da tia Márcia”. A diferença, é que a minha sabe e sempre soube do meu amor. E ao que consta lamentavelmente gosta de homem e não canta.
 Leitor, não demore mais. Corra em busca da sua “Rita da tia Márcia.” Ou ainda do "Rui da facu".    

domingo, 26 de dezembro de 2010

Você não queria se esconder... Capítulo 4 e final.

 ATO 2


PRIMEIRO QUADRO: (Paris, apartamento de Fred, um militante político. Campainha toca).

FRED- (Entrando em cena vai abrir a porta). Quem é que está aí?

ALE- É a Gestapo! Abra logo! (Fred sorri e vai abrir a porta, entra Juliana, agora Alexandra). Fred!

FRED- Você? Ale? (Os dois ficam se olhando).

ALE- Eu mesma, Alexandra. (Juliana está mudada, ficou madura e muito mais segura). Quanto tempo amigo.

FRED- Quando foi que você chegou em Paris?

ALE- Agora à noite, acabei de chegar.

FRED- Então é verdade! Ale... (Ele a abraça, depois de um tempo ela também o abraça, ele pega a mala dela e coloca para dentro). Você veio direto para cá?

ALE- O trem veio de Praga, foi uma burocracia para sair de lá. Daquele país.

FRED- Me disseram que você estava no México.

ALE- (Que se senta). México depois Havana, depois Praga e agora, Paris! (Suspira).

FRED- (Também se senta). Eu soube do que aconteceu. Amiga, eu fiquei...

ALE- Soube?

FRED- (Escolhendo as palavras). Ale que bom que você escapou.

ALE- (Mudando de assunto). E você Fred, escrevendo? Têm notícias do Brasil?

FRED- Arrumei um emprego num jornal Francês . Ale estou escrevendo em Francês , você acredita?

ALE- Um jornal de esquerda?

FRED- Não. Quer dizer... Um jornal ético. Se é esta a palavra. Mas me dão total liberdade. Ale, por que você não me escreveu dizendo que vinha? Eu teria arrumado as coisas. Você está com fome? Quero saber de tudo, por favor, me conte. Oh Ale! Nem acredito Alexandra a guerrilheira mais linda que existe, bem aqui no meu apartamento. (Olha para cima, e fala para o céu). E eu heim, que não acredito em você? Que loteria, ah, que dia feliz!

ALE- Não se preocupe, eu vim dar um alo. Vou arrumar um lugar para ficar. Um hotel, república sei lá.

FRED- De jeito nenhum. (Que faz uma cara de apaixonado). Você vai ficar aqui comigo, o apartamento é suficiente para os dois. (Olhando Ale e mudando de assunto). Como você está mudada.

ALE- Mas você está sozinho, digo... Você entendeu né Fred?

FRED- (Ainda abobado). Ale como você está realmente diferente.

ALE- É Fred o tempo passa, to meio sofrida. Você sabe. (Ela abaixa os olhos).

FRED- Não é isso, nunca te vi tão linda. (Ale ri). Quanto tempo você pretende ficar em Paris?

ALE- (Séria) O suficiente para resolver uma questão.

FRED- Questão?

ALE- (Sorri) Já está me mandando embora?

FRED- (Ainda feliz). Por mim, você pode ficar aqui até o dia em que voltarmos para o Brasil.

ALE- E quando será este dia? Paris é tão linda.

FRED- Pena que é tão tarde, mas se você não estiver cansada podemos sair, agora mesmo. Você viu o Sena? Ale...

ALE- Amanhã Fred. Amanhã. Agora o que eu preciso é dormir. Estou quebrada.

FRED- Aceita um conhaque?

ALE- Nossa! Finalmente, pensei que você não iria me oferecer nada. (Fred pega a garrafa e serve duas doses, os dois bebem). Fred, Fred, Fred. Você não sabe o que passei desde de a última vez que nos vimos. (Bebe).

FRED- Foi tudo tão rápido, Ale. Faz quase um ano que eu estou tentando te contatar. Tudo ficou tão mal resolvido.

ALE- Eu não estava bem para falar com ninguém.

FRED- Eu entendo.

ALE- (Séria encarando Fred). Entende?

FRED- Hei calma sou eu, o Fred.

ALE- Desculpe. Fred eu senti muito a sua falta. (Levanta e abraça Fred). Mas você acabou não me respondendo, Fred. Você o rei do deboche, o jornalista mais perseguido da república das bananas, continua sozinho?

FRED- Eu estou importante assim? O jornalista mais perseguido da república das bananas. Alias quando é que você Ale, começou a ler meus artigos? Ou você só repete o que ouve?

ALE- Não seja bobo, sou uma fã. Mas não fuja. Ta sozinho?

FRED- É claro que eu estou sozinho. (Se levanta e coloca um disco na vitrola). Vem cá dançar.

ALE- Estou morta de cansaço, você não faz idéia, do que é a burocracia, de vir de trem de Praga. Não faz idéia. (Se espreguiça).

FRED- Ah, que é isso? Lembra como costumávamos dançar? Eu e você?

ALE- Nossa que coisa burguesa! (Os dois dançam alguma música ao mesmo tempo pop, ao mesmo tempo um clássico hoje em dia, ambos muito felizes).

FRED- Vou te levar ver os vitrais de Notre-Dame.

ALE- Ah! Paris,cidade luz. Fred me diz por que é que você veio para Paris? Por causa da nouvelle vague? (A música continua hora eles dação, hora eles param).

FRED- Vim por causa da comida, da cozinha francesa.

ALE- Logo se vê que você emagreceu. (Ale ri. Fred chega mais perto os dois se olham e se beijam).

FRED- Aquele dia, como eu sonhei com aquele dia. Você era tão menina, nunca achei que você iria me notar... (Ale beija Fred novamente). Mas foi só uma noite. Depois veio tudo aquilo, mas agora estamos aqui em Paris.

ALE- Talvez eu tenha ficado grávida naquele dia.

FRED- Grávida? Conte-me tudo Ale. Se você quiser estou todo a ouvidos. (Abaixa o som).

ALE- (Aumenta o som novamente, e dança). Amanhã, Fred. Hoje eu não quero falar de passado, só de presente, hoje é hoje. Amanhã falaremos de hoje e de ontem.  (A luz vai descendo devagar). 


SEGUNDO QUADRO : (Mesmo apartamento, manhã seguinte, Fred lê sentado, entra Alexandra).

FRED- (Ao ver Ale, para de ler). Oi! eu não quis te acordar. (Ale está com uma cara séria de melancolia, seus movimentos são blasé). E aí. Vamos dar uma volta? Louvre, Jardim de Luxemburgo? (Se levanta). Ah, eu fiz café para você. Comprei uns croissants. (Ale se senta). E então?

ALE- Fred senta aqui. (Fred se senta). Eu estou bem. Fred... Tem tantas coisas que eu queria saber, queria te perguntar.

FRED- Já entendi. (Alexandra faz uma cara de quem esta esperando uma estória) Vamos lá. Eu tava saindo do jornal, indo pra casa, já era noite. Talvez fosse encontrar uns amigos num bar eu nem lembro. Um carro parou. No começo... (ele para) No começo achei que era imaginação minha, mas não.  Eles me colocaram dentro e me levaram para interrogatório. Era um dia quente. Depois foi uma longa noite, eu não sabia se era noite ou dia era uma sala fechada, ficou frio, passou sei lá quanto tempo. É isso.  Libertaram-me, negociaram minha troca e aqui estou. (Ri). Terei de viver com isso para sempre. Mas aqui na França têm tantos como eu que apanharam na guerra. A diferença é que eles derrotaram o inimigo.

ALE- Eu estava grávida.

FRED- Eu não sabia.

ALE-Talvez você fosse o pai. Fred, eu sempre te achei um cara sensacional, mas eu amava o Pedro. Você me disse que ele estava reencontrando a Marina, por isso fiquei aquela noite com você, acho que era por vingança, eu sou muito vingativa, mas eu amava o Pedro.
-

FRED- Você acabou na casa da Marina. Que tal é ela?

ALE- O que ela fez por mim eu não teria feito por ela.

FRED- Nós estudamos juntos. Mas eu não a conheço bem. Você me disse naquela noite que iria numa missão secreta. No dia seguinte é que eu fui pego.

ALE- A missão foi adiada. Fred me diz foi você?

FRED- Ale, você não sabe o que é ser...

ALE- O que? Torturado. Talvez o Pedro saiba.

FRED- (Suspira). Não seja como eles, pare agora.

ALE- Eu estava lá. Naquela casa.

FRED- Eu não sabia, você disse que iria embora em uma missão.

ALE- Por isso você falou?

FRED- Eu não sei o que eu falei. A gente não sabe o que esta falando, não tem controle quando estamos lá, não estamos completamente acordados. Não quero lembrar, não foi culpa minha! Você nunca passou por isso , não sabe de nada!

ALE- Me disseram que você foi entregando o aparelho, nem resistiu o normal, o mínimo.

FRED- Quem te deu esta informação não falou a verdade, nem existe este mínimo. Somos seres humanos. Temos reações humanas e basta.

ALE- Não , não basta. Você achou que matando o Pedro, eu ficaria com você Fred?

FRED- O que... O que é que você está insinuando que eu sou um assassino? Pare Ale, você está distorcendo tudo, nós somos aliados, eu , você, o Pedro, todos , o movimento.

ALE- Como você pode Fred?

FRED- Eu sou jornalista! Ale, eu não sou guerrilheiro.

ALE- Cala a boca, não deixe eu te odiar.

FRED- O Pedro não teria feito diferente, ele não te amava. Ele teria me entregado também. Não existem heróis. Era ele ou eu. Se eu não dissesse onde era o aparelho, eles me matavam você sabe. Matavam-me.

ALE- Covarde!

FRED- Eu lamento. Minha arma é imprensa, eu não sei usar armas não sou um soldado. Mas de uma coisa eu tenho certeza se eu soubesse que você Ale, não tinha ido naquela missão, eu teria morrido, mas não entregaria o aparelho. Eu te amo desde a primeira vez que eu te vi você sabe disso. Qualquer outro homem na minha situação teria feito o mesmo. O mesmo. Olha vamos esquecer isto, pelo menos por enquanto, acho que já fomos muito longe por hoje. Que tal darmos uma volta? Eu prometo que depois retomamos a conversa.

ALE- Uma vez Fred, o Pedro disse que você escrevia bem pacas. Se dói viver com o que você fez saiba que ele te admirava e muito. Mas ele não tinha o intelecto da Marina , nem a tua ironia e argumentação, há mas ele sabia lutar, ele acreditava. Ele , sim morreu para me salvar. Eu não acredito em você. Mesmo que você soubesse que eu estava lá teria falado. Gente que nem você só pensa em si mesmo.

FRED- Eu só escolhi o lado, era eu ou ele. Eu teria sido covarde se tivesse escolhido ele. Eu achei sim que você estivesse apaixonada por mim, ele estava saindo com a Marina, ela não te disse?

ALE- Eu também escolhi um lado Fred. (Ale tira uma arma da roupa e aponta para Fred).

FRED- Ale! Nunca amei alguém como você. Se você não acredita... Olha vamos sair logo e dar uma volta, almoçar, ver o Louvre... (Ale atira em Fred. Ele morre. Ela então limpa a arma e põe na mão dele, pega a sua mala e vai embora).

                                                

                                                             PANO