quinta-feira, 4 de agosto de 2011

23 Capítulo VIII


O leitor deve ler os capítulos I, II, III, IV, V, VI e VII, postados anteriormente, antes de prosseguir pelo VIII. Grato.
  
 João Synge era um homem nos seus setenta anos. Mas ainda era forte e enérgico. Quando percebeu que os agentes já não mais se ocupavam de Marcel, ele se aproximou do engenheiro que o prontamente o seguiu.
 Há cinco anos João era o presidente da Petrobrás. A plataforma X fora um projeto dele que começara já com o presidente da republica anterior. 
 Era uma tecnologia de extração de óleo no pré-sal que nunca fora concebida antes na história. Por isso a espionagem não era só entre países, mas também industrial. E enorme.
 Os dispositivos de segurança eram grandes. Ricardo Larkin era anunciado como o grande engenheiro e criador da plataforma X. Porém a verdade é que Marcel era o responsável. Marcel era o verdadeiro nome que era mantido em sigilo. Claro que Ricardo tinha uma posição de destaque, era braço direito de Marcel.
Ricardo expôs os códigos secretos para Mariana. Não que ele tivesse percebido quando ela se apoderou do seu computador em uma das noites de luxúria em seu apartamento. O que Mariana não sabia é que aqueles códigos de segurança poderiam ser facilmente quebrados por outras senhas que na verdade Ricardo Larkin não conhecia.
 Por isso o único homem capaz de deter esta tragédia nuclear e de vazamento de óleo era Marcel.
 João o levou para um dos portões do estádio. Depois seguiram a pé entre a multidão em direção a um pequeno carro, onde um motorista a paisana os aguardava.
 Camila pode ouvir pelo rádio que ela fora responsabilizada, pela agora morte do comandante Alfredo Ferraz. A mensagem dizia para todas as unidades atirarem pra matar. Ao mesmo tempo ela telefonava para casa, enquanto acelerava o carro e passava os sinais vermelhos:
 “Alo Gordo! Segura a picanha que eu hoje vou demorar mais do que eu imaginei. Fala para as crianças dormirem e não me esperarem. E outra coisa... Gordo eu não sei quando foi à última vez que eu te disse, mas... Eu te amo!”
 Gordo desligou o telefone. Sabia que aquilo não podia ser coisa boa. Ele já estava ligado na televisão e sabia do desaparecimento dos jogadores doa seleção americana. Aliás, o assunto era acompanhado por todo o mundo. E se o planeta já para quando na final de uma Copa, imagine quando a final é da maior potencia com a maior nação futebolística. E quando dois jogadores misteriosamente evaporaram. 
 A audiência mundial subiu cinqüenta por cento. Os presidentes e assessores pareciam se estranhar no estádio. Esta pressão fez com que a presidente desse a ordem para dois caças bombardearem a plataforma X.
 Felipe mandou que Torres descesse no gramado do Maracanã. Os agentes informaram Mariana que já estava no estádio que o helicóptero se aproximava.
 “Mandem os atiradores para o gramado, se eles tentarem descer atirem no helicóptero!”
 Cerca de quarenta agentes e policiais foram para o gramado. Era como um show para a já grande platéia que estava presente no Maracanã.
 Longe dali no estacionamento, João reconheceu o carro, mas quando chegou bem perto viu que não era o conhecido motorista e sim um desconhecido no banco do motorista. Não teve dúvida tirou sua arma, mas foi alvejado antes que pudesse atirar. Pedro e dez homens os tinham surpreendido. Preparavam-se para agarrar Marcel, quando ouviram um carro arrebentar a entrada de veículos e vir atirando.
 Camila deu um cavalo de pau e quase tocou Marcel com o carro, sempre atirando. Abriu a porta e ordenou:
 “Entre! Eu sou a verdadeira polícia!”
 Ele ao ouvir os tiros vindo de um lado, e aquela baixinha louca, mas mulher do outro, só teve tempo de pular para dentro. Camila acelerou para cima dos agentes e fugiu do estacionamento. Seguiram pelo bairro da Tijuca e poucos minutos deixavam o Maracanã para trás.
 “Ele fugiu, o tal engenheiro Marcel. A Camila o resgatou.” Informou Pedro para Mariana.
 “Não se preocupe acabei de falar com o Venezuelano e vão colocá-lo no caça. A presidente deu a ordem”. Respondeu Mariana.
 “Então qual é o próximo passo?”
 “Solte os americanos e fuja do estádio o mais rápido possível!”
 Quando o piloto do helicóptero viu que os homens atiravam lá de baixo, levantou. Já em boa altura um outro helicóptero surgiu e junto com ele, tiros. Felipe começou a atirar de volta respondendo aos disparos. Pediu para Letícia e Lucas atirarem.
 Os dois jovens claro se negaram. Então não teve jeito passou a arma para Torres que assustado com tanto fogo amigo passou a atirar também contra a outra aeronave. Uma perseguição começou no céu. 
 Felipe pode ouvir o celular tocar.
 “Rulfo é Camila, a encomenda está comigo. Onde está você?”
 “Olhe para cima.” Ele brincou.
 Do Maracanã o piloto tentou fugir para a zona sul. O helicóptero recebeu vários tiros e começou a perder altitude já perto de Copacabana.
 “Alguém quer pegar uma praia?” Perguntou piloto, numa tentativa de acalmar o desespero. 
 Felipe avisou Camila para ela ir para Copacabana com a, encomenda, que era o engenheiro Marcel.
 Rulfo teve receio de estar sendo ouvido, mas que outro jeito ele teria. Mariana queria agora pegar Marcel de qualquer maneira. Era o que ele achava. Eles não sabiam que o plano dela estava indo totalmente de acordo e Marcel estar livre ou não tanto fazia.  
 Camila já na Avenida Atlântica com duas viaturas a perseguindo, viu o helicóptero aterrissar na praia.
 A Presidente do Brasil reunida com o ministro de defesa deu a ultima palavra. Desta maneira o óleo iria vazar, mas a usina de Angra estaria salva.
 “Ministro os faça decolarem, mas só eu darei a ordem de fogo. Antes eu quero a plataforma evacuada e a cidade de Angra dos Reis também. Não quero um civil morto ou ferido”.
 Na base da aeronáutica, um dos pilotos já estava morto pelos agentes criminosos a serviço de Mariana. Juares um piloto das forças Venezuelanas pegou o seu lugar e roupas. Já com capacete, ele entrou num caça Brasileiro e decolou antes do outro piloto. Desta vez Rubens Figueiredo, um legítimo e honesto piloto militar Brasileiro.  
 Juares tinha ordens claras. Seu alvo não era a plataforma X e sim outro lugar. Outro lugar com milhares de civis. O estádio do Maracanã. 
  


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

23 Capítulo VII


 O leitor deve ler os capítulos I, II, III, IV, V e VI antes de prosseguir pelo VII. Grato.

 Felipe começou uma relação amorosa com o casal Letícia e Lucas. Tanto que em dois meses se mudou para a casa deles. Isso não quer dizer que ele soubesse de tudo que se passava na ONG  clube 23.
 O jovem casal não gostava que Felipe entrasse no escritório que ficava numa edícula da casa. E ele todos os dias saía para o seu disfarce, o escritório de paisagismo.
 A casa tinha uma atividade social intensa. Era sempre Letícia quem cozinhava. Um cardápio vegan. Uma cozinheira assistente foi contratada para ajudar nos jantares. Felipe descobriu que tanto a família de Letícia quanto a de Lucas eram bem abastadas, logo os recursos eram enormes.
  Vivia-se com todo o conforto na casa. Os móveis de designes famosos, geralmente peças contemporâneas de madeiras eram simples, porém caros. O ambiente não raras vezes destoava do comportamento e atitudes dos freqüentadores.
 Enquanto os dois viviam como burgueses, discutiam a revolução com os convidados e associados. Nestes jantares apesar deles gastarem muito, acabavam por arrecadar muitas doações de jovens também preocupados em salvar o planeta. Jovens tão ou mais ricos do que eles.
 Ninguém recusava o convite. E logo os salões da casa Vegan ficaram concorridos pela cidade. Artistas, publicitários, empresários e toda a fauna de modernos e alternativos eram recebidos por lá. Até presença esportistas sofisticados. Como os jogadores juniores do São Paulo futebol clube, Thomas e Mark.
 Felipe, ou Rodrigo como era agora conhecido, chegou a ficar com ciúmes da atenção que Letícia dava a Mark. Mas ele mesmo nunca presenciou nada. Nenhuma infidelidade nem de Lucas e nem de Letícia.
 Era como se para eles os três bastassem. Um dia eles confessaram a Felipe o significado de vinte e três.
 O numero dois significava o bissexualismo e o três a vida a três. Este era o comportamento transgressivo dos dois. A revolução da nova geração. Por isso eles Lucas e Letícia não se consideravam burgueses. Eles tinham uma vida diferente. E Felipe era o numero três deste estilo de vida. Felipe participou de algumas ações. Uma contra o consulado da China. Outra onde ele, Lucas e Letícia ficaram pelados e o corpo coberto por tinta. Um de cada cor. Azul, amarelo e verde. As cores unidas. Um trocadilho com o slogan da marca de roupas que destratava os animais. A imprensa os fotografou assim parados na porta de uma boutique da marca nos jardins. 
 Eles ensinaram Felipe a usar a tinta vermelha para fingir sangue.
 Meses se passaram e Letícia falou do seu desejo de engravidar. Ela queria uma família a quatro.
 Verdade é que Felipe avançava pouco. Suas descobertas eram quase todas sobre os eventos sociais. E doações legais. Ele não conseguia fazer a ligação disso com Pablo, ou outros membros da juventude esquerdista da América Latina. Lucas e Letícia participavam de fóruns mundiais sociais e liam revistas esquerdistas, porem pareciam pessoas politizadas de maneira pacífica. Inclusive eram ambos contra armas de fogo e qualquer tipo de armas.
 Felipe tomava café num lugar movimentado da região da Avenida Berrini. Esperava por Mariana. Um homem de uns trinta anos entra no lugar. Felipe o percebe se aproximando. Felipe já há meses não usava uma arma. Nunca seria aceito na casa Vegan com uma.
 O homem saca um documento e joga na mesa. Com calma se senta:
 “Eu vou deixar as minhas duas mãos em cima da mesa.”
 Felipe se acalma ao perceber que o homem era também da polícia federal.
 “Afinal quem é você?”
 “Felipe meu nome é Antonio Sampaio. Ouça-me com atenção.”
 Antonio disse a Felipe que o conteúdo da conversa não poderia ser revelado a ninguém. Felipe ouvia enquanto Antonia dizia que membros da operação, “verde que te quero verde”, estavam ligados a ONG clube 23.
 Felipe achou aquilo tudo um absurdo e disse a Antonio que iria comunicar isto aos seus superiores imediatamente. 
 "Não você não vai."
 Como eu não vou? Pensou Felipe. Afinal o que era aquilo? 
 "Depois do que eu te mostrar, eu garanto que você vai trabalhar para o meu lado. O lado da polícia." 
 Ele só se acalmou quando Antonio retirou uma das mãos da mesa e deu para Felipe um envelope.
 Felipe abriu o envelope e quase perdeu os sentidos. Eram fotos de Lucas e Letícia em vários lugares com uma bela mulher mais velha. Em restaurantes, parques, e até na praia. Eles beijavam-se e pareciam estar se divertindo muito. Parecia o verdadeiro trio 23.
 O que deixou Felipe desesperado é que ele também já tinha sido amante desta mesma mulher. Ela era Mariana a sua superiora. A chefa da operação “verde que te quero verde.” 

quarta-feira, 27 de julho de 2011

23 Capítulo VI


O leitor deve antes ler os capítulos I, II, III, IV e V antes de prosseguir pelo VI. Grato.

 O trem bala estava realmente cheio. Era a primeira viagem da maioria dos passageiros, naquele trem. Todos com a cabeça no jogo, na final. Teriam duas horas e meia para chegar até o Maracanã.
 As pessoas observavam ainda atônitas enquanto o condutor chefe dizia pelo celular que haviam encontrado um passaporte venezuelano no atirador de Felipe Rulfo. Depois desligou. Disseram-lhe que uma equipe aguardava na estação de trem e levaria Felipe para um hospital.
 Uma mulher levantou no fim do corredor e veio em direção ao vagão onde Felipe estava no chão baleado e sangrando. Ela usava um vestido verde que combinava com seus lindos olhos também verdes e os cabelos soltos.  
 “Pode deixar comigo eu sou médica.”
 O condutor chefe estranhou, mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, um dos seguranças, um jovem atlético de boca carnuda lhe deu um choque elétrico que o fez perder os sentidos. Felipe quando percebeu que tudo havia sido feito como o planejado, abriu os olhos e se levantou. Na outra ponta do vagão o mesmo atirador apareceu, estava perfeitamente bem e vivo claro. Ele, o atirador, se juntou aos outros dois seguranças e seguiram atrás de Felipe, Letícia e Lucas.
 “Temos de descer do trem antes da estação!” Gritou Letícia.
 “Impossível.” Falou Felipe. No mesmo instante o trem começou a brecar. Puderam ver uns vinte agentes da central de segurança da Copa na estação.
 Felipe não teve dúvidas e pediu as algemas para um dos seguranças disfarçados. Na verdade eram todos do grupo 23. Antes que ele as colocasse em Letícia e Lucas, ela disse:
 “Você sabe que não temos nada a ver com isso. E só nós podemos salvar a plataforma.”
 “Eu sei”. Ele disse.
 Então passou as algemas nos dois. Saiu do trem com a carteira de Federal para fora. Disse que efetuara a prisão. Explicou que havia detido os dois fugitivos e que os levaria para a Central de segurança. Não deu tempo para que confirmassem na central. O agente Torres, responsável pela operação, os encaminhou para a cobertura do prédio da estação onde estava um helicóptero. Mal eles entraram na nave o piloto colocou as hélices em movimento. Já no ar Felipe abriu as algemas e ele e Letícia apontaram as armas para o piloto e para o agente Torres.
 “Mudança de curso!” Gritou Felipe. “Nós vamos para o estádio do Maracanã!”
 O agente Torres entregou a arma e pediu que o piloto cooperasse. A aeronave seguiu para o Maracanã.
 Camila comunicou ao comandante Alfredo Ferraz sobre o desvio e fuga de Felipe Rulfo. Mas Alfredo havia se lembrado de algo. Pediu para agente Camila entrar.
 “Camila você conhece o agente Pedro há quanto tempo?”
 “Alguns meses senhor, desde quando o treinamento para a Copa começou.”
 “Você lembra se ele é vegetariano?”
 “Nunca reparei comandante.”
 “Ontem, tivemos uns cachorros quentes e ele tirou a salsicha. Você lembra disso?”
 Sim Camila lembrava como também lembrava agora de ter visto Mariana fazer o mesmo. Nisso o comandante sentiu um cansaço e antes de desmaiar apontou o copo de suco para Camila.
 A agente Camila não teve dúvida ao ver o comandante desmaiar. Ele havia sido drogado. O agente Pedro era o segundo na hierarquia, mas agora tudo estava muito confuso. Se Mariana era a responsável por tanto tempo da operação “verde que te quero verde” como ela nada informou e não sabia como proceder? Ligou então para o agente Torres:
 “Me passa o Rulfo.”
 “É para você.”
 Correndo com o celular na mão, Camila entrou numa viatura e ela mesma dirigido acelerou em direção ao Maracanã.
 Ricardo Larkin sorriu ao ver sua bela amada entrar na sala. Ele estava sentado sendo vigiado por dois seguranças. Ela parecia diferente, fria. Chegou perto dele e foi quando ele viu a arma na mão dela. Depois não sentiu mais nada. Foi bem rápido. Depois ela virou-se e ainda caminhando com salto alto deixou a sala. 






 
 




 



































23 capítulo V


O leitor deve antes ler os capítulos I, II, III e IV antes de prosseguir pelo V. Grato.

 Felipe Rulfo acordou e seguiu para o escritório de paisagismo. A polícia federal tinha alugado uma casa numa vila e colocado além de Felipe e Mariana, mais cinco policiais na operação: “Verde que te quero verde.”
 Assim como os membros do grupo 23 saiam na Avenida Paulista pedindo doações, um disfarce para dar um tom amador nas ações terroristas, a polícia federal tinha também seu disfarce. A policia tinha que fazer eles, o grupo 23, entrar na de Felipe Rulfo.
 Por isso ele tinha sido escolhido. Felipe era também jovem e bonito. Tinha um aspecto descolado e de ser alguém com propensão à esquerda. Ou pelos menos parecer isso. Pois se sabia tratar-se de um grupo de esquerda.
 Já no atelier de paisagismo seu celular tocou. Todos agentes ouviram em silencio o convite de Letícia para que Felipe fosse jantar em sua casa. Ela passou no endereço e marcou para as oito horas.
 Mariana ficou muito animada. Ela imaginava que talvez fosse Felipe quem iria fazer o primeiro contato, mas depois ficou desconfiada. Não haviam afinal passado nem vinte e quatro horas do primeiro contato.
 Era uma casa grande na zona Sul de São Paulo. Um jardim bem arborizado. Foi Lucas quem abriu a porta e apresentou o casal de convidados. Um espanhol de nome Pablo e uma Argentina de nome Ana Laura.
 Letícia saiu da cozinha e veio dar um oi rápido e depois voltou para a cozinha. Lucas ofereceu uma cerveja que Felipe ou agora Rodrigo aceitou. A casa tinha vários livros e uma enorme mesa de madeira.
 Durante o jantar o casal de castelhanos contou da viagem que fizeram a Cuba. Eles tinham visto mais pontos positivos lá do que negativos. Verdade é que queriam mais ouvir as opiniões de Felipe do que falar das suas próprias.
 Pablo era um sujeito que sorria pouco. Disse a Felipe que odiou a Avenida Paulista porque lá só havia bancos.
 “Mas os bancos mudaram-se todos para a Avenida Faria Lima.”
 Pablo respondeu que esta Avenida Faria Lima então deveria ser também bem feia e desinteressante.
 A comida e o vinho eram maravilhosos. Felipe cogitou em se tornar até um vegetariano. Ele não podia parecer nem muito militante de esquerda e nem tão pouco a favor do sistema. Aqueles quatro jovens queriam testá-lo, mas também queriam recrutá-lo. E ele não podia mostrar-se pronto a se converter tão rápido. Aquilo traria desconfiança e não seria tão prazeroso para os outros.
 Lá pela meia noite, Pablo e Ana Laura se despediram. Felipe disse que também iria, mas Letícia o segurou.
 Lucas ofereceu mais vinho a Felipe enquanto Letícia aumentava o som. Quando o policial deu por si, ele estava beijando os dois Lucas e Letícia.
 Lucas tinha uma barriga durinha e era uma meiguice só. Pelo incrível que pareça aquela moça delicada e sofisticada era um furacão.
 Ora ele passava as mãos no corpo de Lucas que tinha uma boca carnuda, ora sentia a delicadeza de Letícia. Que embora muito feminina lhe dava umas pegadas mais agressivas, enquanto o doce Lucas ia bem de vagar.
 Letícia tinha uma boca fina e cabelos longos. Gostava de comandar, enquanto Lucas curtia ser comandado.
 Ele sentiu muito carinho daqueles dois e se perguntava como poderiam ser más pessoas se o abraçavam tanto. Com tanto afeto.
 Será que sempre fazem jantares e agarram os convidados depois? Toda semana? Dia sim, dia não?
  Acabou passando a noite lá. Teve receio de mandar um torpedo para Mariana e o resto da operação: “Verde que te quero verde.”
 Acordou com o jovem casal na grande cama deles. Na janela ele via as árvores enormes do jardim. Realmente era uma casa e tanto. Nem parecia que estavam em São Paulo. Lucas comentou que durante o café da manhã que Felipe poderia dar uns palpites no jardim.
 Mas Letícia o salvou. Dizendo que ele não faria uma consultoria de graça e que não cansassem o hóspede.
 “Mas o seu jardim já é lindo.”
 Letícia adorou aquilo. Felipe disse que tinha de ir trabalhar. Ele antes de sair perguntou:
 “E quando vocês irão à minha casa jantar?”
 Aquilo era bom. Mariana recomendou que ele retribuísse o convite. Letícia e Lucas sentiriam confiança em saber onde Felipe morava.
 Mas nenhum dos dois se animou em responder.
 “Nos falamos”. Disse simplesmente Letícia. De um jeito bem rica esnobe.
E logo depois Lucas começou a retirar a mesa. E disse um: “Tchau”.
 Felipe ligou o carro e se foi. Um outro carro logo em seguida o seguiu. E de novo Felipe não notou nada.
 Letícia fechou a porta, pegou o celular e ligou. 
 “Ele acabou de sair daqui.” A voz do outro lado disse.
 “O que você achou dele?”
 Lucas sorriu quando ouviu ela dizer:
 “Uma delícia.”
 “E o Lucas?”
 “Também gostou.”
 “Ótimo. Vamos prosseguir. O próximo a fazer contato será ele.”
 Letícia desligou o celular. Puxou Lucas pela camiseta.
 “Agora vamos cuidar do jardim.”  

terça-feira, 26 de julho de 2011

23 Capitulo IV


O leitor deve antes ler os capítulos I, II e III antes de prosseguir pelo IV. Grato.

 Pedro entra na sala do Comandante Alfredo e interrompe a narrativa de Mariana:
 “Senhor, o Ministro da defesa quer falar com você!”
 “Passe a ligação.”
 O comandante tentou explicar ao Ministro da defesa sobre a plataforma X. Estava claro que se não achassem uma solução rápida uma explosão da plataforma não só causaria um desastre ambiental sem precedentes como devido à profundidade da plataforma as usinas de Angra se abalariam e com isso soltando radiação para grande parte da região sudeste, incluindo a cidade do Rio a poucos quilômetros.
 Foi quando o Ministro quis saber sobre prováveis suspeitos e disse que todo o corpo de bombeiros, marinha, exército e policia estavam à disposição do comandante Alfredo.
 “Sim estamos investigando e caçando membros de um grupo de terroristas ambientalistas de nome 23. Ministro, eu acho melhor você pedir para tanto o presidente americano, bem como para a nossa presidenta Brasileira, seguirem para Brasília.”
 “Você está louco Alfredo. Eu quero que você encontre estes jogadores já! A marinha e a Petrobrás vão cuidar desta plataforma.”
 “Mas Ministro, eu insisto, não haverá tempo.”
 “Alfredo eu já falei com a assessoria da presidente. Eles querem que você encontre os jogadores antes da mídia saber do desaparecimento. Deixe a plataforma para os especialistas. Não há nada ali que você possa resolver. Já colocamos os melhores da área para resolver este problema." 
 “Sim senhor, entendido.”
 “E mais uma coisa, como um grupo ambientalista pode querer causar um desastre ecológico?”
 Aquilo era verdade, no fundo o Ministro tinha razão. Pedro interrompeu os pensamentos do comandante.
 “Senhor Mark Dahl e Thomas O’ Brien haviam jogado futebol em 2011 no juvenil do São Paulo”. E Camila completou.
 “Os dois são vegetarianos, ou melhor, vegans, que são pessoas que não comem nenhum derivado de animais. Nem leite, nem queijos, nada que tenha proteína animal.” 
  O comandante teve então um palpite. E perguntou pelo ônibus. Ninguém some assim. Desaparece na frente do mundo. A não ser que não houvessem sumido no túnel   
 A equipe no Maracanã, estava vasculhando o lugar atrás de Ricardo Larkin. E ninguém mais sabia do ônibus.
 “Quem liberou o ônibus? Quem revistou o ônibus?”
 Ninguém havia feito isso. Encontraram o ônibus no estacionamento do estádio. Os agentes perceberam que existia uma porta no chão do acento de onde estiveram os jogadores. Mal se podia notar o finíssimo corte. A equipe desvendou então que os próprios jogadores haviam aproveitado a escuridão, aberto a portinha, alçapão, e fugido para o subsolo do ônibus na parte de bagagem e com certeza se mantiveram abaixados até estarem em lugar deserto para sair. Para serem com certeza resgatados. 
 “Vocês estão dizendo que os Americanos fizeram uma espécie de Cavalo de Tróia, para enganarem eles mesmos?. Digo enganarem a própria delegação?" 
 “Exato comandante.”
 Neste instante o Ministro ligou novamente.
 “Alfredo a assessoria da Presidente recebeu um pedido de resgate dos jogadores Americanos. Os criminosos pedem que a Presidenta faça ao vivo na televisão para todo o mundo um discurso prometendo proibir não só a exportação de carne, mas também todo o consumo de carne no Brasil.”
 “Ministro. Temos evidencias de que os dois jogadores Americanos estão participando dessa ação. São cúmplices.”
 Alex correu o mais que pode, ao chegar à cadeira que estava reservada para Ricardo Larkin a encontrou vazia. A arquibancada já estava quase cheia e muitas pessoas vinham e sentar-se e levantavam-se atrás de comidas e bebidas. Outras cantavam. Neste tumulto, Alex notou que um senhor estava ao lado do lugar de Ricardo Larkin.
 “Você conhece o Ricardo Larkin?”
 O homem explicou que ele e Ricardo tinham vindo juntos. E que dois homens se identificaram como agentes do serviço de segurança da Copa. E o levaram. Alex se identificou e disse que ele sim era do serviço de segurança da copa. Agencia central. O homem que se chamava Marcel Oliveira e era também engenheiro, não da Petrobrás, mas civil acreditou em Alex, porque vinte homens o acompanhavam. Com um exército destes só pode ser o verdadeiro e os outros é que eram falsos. Não teve dúvidas em contar tudo.
 “Eles disseram que a plataforma X estava com problemas. O Ricardo não pareceu surpreso. Ele olhava para todos os lados antes mesmo dos homens chegarem.”
 “Marcel você deve me contar tudo. Muitas pessoas estão em perigo, inclusive você e sua família. Terroristas estão agindo e nós temos de impedi-los antes que eles cometam algum grande ato terrorista. Estamos correndo contra o relógio”.
 Marcel contou que o amigo conhecera há umas duas semanas uma mulher muito bonita. E que ele, Marcel, achava estranho.
 “Estranho por quê?” Quis saber o agente Alex.
 “Veja bem, eu e também Ricardo, não somos propriamente ricos e nem um exemplo de beleza e esta mulher além de ter uma aparência de classe média alta, era bem bonita para se interessar pelo meu amigo. Ele deveria ter comunicado a vocês. Mas o ser humano às vezes acredita em conto de fadas. Pobre Ricardo.”
 “Você sabe o nome desta menina?”
 “Sei sim. É Letícia. E um sobre nome árabe, como acho... Haddad.”
 Alex mostrou uma foto da líder do Grupo 23.  
 “É esta?”
 Marcel olhou a foto atentamente.
 “Só se ela estivesse bem mais nova nesta foto. A mulher que eu falo tem uns quarenta anos.” Ele olhou de novo para a foto. “Não definitivamente, não é esta mulher não.”
 Alex estava começando a ficar desanimado. E para o seu maior desespero o telão do estádio informava as ultimas notícias: Dois jogadores Americanos estavam desaparecidos. Agora o mundo todo já sabia.



  

23 Capítulo III


 O leitor deve antes ler os capítulos I e II, postados anteriormente, antes de prosseguir pelo III. Grato.

 A menina quase mulher, abordava os transeuntes na calçada da Avenida Paulista com a Rua Augusta. Ela mais cinco jovens tentavam conseguir assinaturas de doações para a sua ONG, via cartão de crédito.
 Não eram jovens com cara de contratados por empresas para fazer pesquisas sobre comportamento. Eles tinham algo de sofisticado e muitas vezes queriam mais comunicar-se com a rua do que propriamente conseguir fundos.
 Seu nome era Letícia. Parecia claramente ser a líder do grupo. De estatura média para alta, cabelos longos e echarpe no pescoço. Foi ela quem abordou Felipe naquele fim de tarde. Ele vinha passando olhando para ela. Claro que quase todos os homens vinham passando olhando para ela.
 “Oi tem um minuto.”
 Ele tentou fingir-se na dúvida. Na verdade ele não tinha só um minuto, e sim a vida toda. Mas fingiu tão bem que Letícia se esforçou no charme.
 “Você conhece o grupo 23?”
 Ele respondeu que não. Então ela explicou que eles ali eram um grupo que salvaria o planeta da cobiça e da ganância das grandes corporações capitalistas. Ou que pelo menos estava combatendo a idéia unilateral da exploração egoísta dos recursos da mãe Terra.
 “Você quer ajudar?”
 “Claro que eu quero!”
 Foram então para o segundo passo, preencher uma ficha com nome, endereço, e-mail, mas foi quando Letícia perguntou a ocupação, que ela teve uma surpresa e começou a se interessar realmente por aquele rapaz.
 “Biólogo.”
 “Jura?”
 “Juro! Mas eu trabalho com paisagismo.”
 “Aqui na Avenida Paulista?”
 “Às vezes”. Ele riu. Depois emendou. “Eu estou indo ao teatro.”
 Bem a conversa ia terminando, e Felipe arriscou.
 “Será que você não podia me dar um contato para eu saber mais sobre o grupo 23?”
 Até ali Felipe talvez estivesse sendo honesto, ele queria realmente saber mais, alias, saber tudo sobre o Grupo 23. O que ele não foi sincero é quando disse que não conhecia o Grupo. Há dois meses ele vinha estudando tudo o se sabia sobre o tal Grupo 23.
 “Você tem todas as informações no panfleto Rodrigo e também no certificado que eu te dei. Veja depois o nosso site."  Felipe agora era Rodrigo. E sim Felipe tinha ganhado não só um certificado de doador como uma meia dúzia de papéis informativos. Papéis recicláveis claro.
 “Mas eu vou te escrever o meu o contato, se você quiser participar mais. Seria ótimo um biólogo.” Ela escreveu então o número do celular. Depois pediu o dele. Nisso apareceu Lucas.
 “Este é o Lucas.” Os dois se cumprimentaram. Lucas usava roupas apertadas, tinha um corpo maravilhoso e um aspecto muito jovem. Teria no máximo uns 22 anos. Ele sorriu para Felipe.
 “Rodrigo é biólogo. E quer participar mais.”
 “Ótimo, bem vindo Felipe.”
 Era difícil saber qual a relação de Letícia e Lucas. Namorados? Amigos? Amantes? 
 Ele então se afastou, andou mais uns quatro quarteirões. Olhou em volta. Com a certeza de não ter sido seguido, pegou o celular e ligou.
 “Mari! Primeiro contato feito. Um sucesso.”
 “Eu já disse pra não usar uma linha aberta. Felipe, eles parecem inofensivos, mas não são.”
 “Desculpe.”
 “ Venha pra cá e depois falaremos mais.” 
 "A caminho." 
 "E Felipe?"
 "Sim."
 "Estou feliz." 
 Mariana tinha razão. Era a primeira missão do agente Felipe como infiltrado. Não era propriamente no crime organizado tradicional. A principio nada demonstrava perigo de violência. Mas o grupo ou clube 23 era extremamente organizado e competente. Felipe havia sim sido seguido. É difícil acreditar em teorias da conspiração. Mas aqueles jovens sabiam o que estavam fazendo. Eles não formavam uma organização secreta. Por isso eram ainda mais perigosos. Pois praticavam ações criminosas dentro de uma ONG. Ou ainda se disfarçavam de ONG para cometer ações criminosas. Eram lobos na pele de cordeiros. Prato cheio para a policia federal. 
 E isto Mariana gostaria que Felipe não se esquecesse. Eles eram a policia e Letícia, Lucas e quem mais fizessem parte do Clube 23 eram os bandidos.
 Mas eles pareciam tão doces, tão meigos. Só o tempo diria se a primeira abordagem havia sido realmente um sucesso ou não. Mas ele estava confiante. Agora era esperar.
 Uma coisa ele Felipe estava contente, teria de seduzir dois jovens muito atraentes. Melhor impossível. Entrou no metrô. Tão entusiasmado que nem se deu conta de um jovem de uns 28 anos que o seguia.




quinta-feira, 21 de julho de 2011

23 Capítulo II


 O leitor deve ler o capítulo I antes de se aventurar por este II. É a postagem anterior a esta.

 “Felipe, o que está acontecendo?”
 “Eu não sei se posso falar em uma linha aberta, senhor. Eles estão atrás de mim.”
 Aquilo irritava o comandante, até que ponto aquele policial era louco ou até que ponto ele sabia sobre os jogadores.
 “Onde estão os jogadores?” Insistiu Alfredo.
 “Quem?”
 “Os jogadores?”
 “Já disse que não posso falar em uma linha aberta.”
 “Linha aberta? O que diabos é isto?”
 Neste momento a agente Mariana interveio.
 “Felipe é Mariana quem está falando”.
 “Mari que bom ouvir sua voz!”
 "Bom ouvir a sua também." 
 “Você está no Rio? Quem é este que fala comigo?”
 “O comandante Alfredo é o responsável pela subdivisão de segurança da copa do mundo. Até o final da copa, ou seja, hoje nós estamos sob seu comando.”
 “Eles estão atrás de mim. A operação 23 já começou. O casal está em perigo Mari. Eles não têm nada a ver com isso.”
 “Onde estão os dois jogadores americanos Felipe?”
 “Que jogadores Mari?”
 Mariana corta o som. Ela percebeu que Felipe não sabia de nada. Foi o que explicou para o comandante Alfredo. Ele era um agente infiltrado já há anos na organização de nome 23. 
 “Felipe, aqui quem fala é comandante Alfredo. Dois jogadores da seleção americana sumiram. Você não deve dizer isto a ninguém. Agora me diga, você sabe onde eles estão?”
 “Porque eu deveria?”
 “Felipe, aqui é Mari. Um sinal nos levou a crer que era uma operação do grupo 23. Você sabe alguma coisa a respeito? Você tentou entrar em contato com o QG de São Paulo.”
 “Mari esqueça estes jogadores. O que está acontecendo é mil vezes pior do que dois jogadores terem sumido. Eles estão querendo distrair vocês. Os jogadores é algo para tirar a atenção, da verdadeira catástrofe”.
 O comandante e os agentes se entreolharam, parecia que Felipe estava dizendo a verdade.
 “Escute com atenção. Aqui é o comandante novamente. Uma equipe já o está esperando na estação. Eles foram de helicóptero e em poucos minutos vão trazê-lo para cá. Agora me conte o resto.”
 Neste mesmo instante a luz do trem bala caiu. Ouviram-se uns disparos. Os três seguranças e o chefe condutor puderam ver um homem correndo para o final do vagão. Dois seguranças foram atrás dele, mas o pânico das pessoas complicou a visualização. Quando deu por si o condutor viu que Felipe fora baleado. O policial estava todo ensangüentado. E pedia o celular que caíra no chão para o condutor.
 “O que aconteceu?” No quartel general ninguém sabia o que estava acontecendo. O condutor chefe, rapidamente alcançou o celular.
 “O cara foi alvejado e está sangrando!”
 Mariana deu grito.
 “Acho que ele ainda consegue falar senhor.”
 “Então passe o celular para ele.”
 Felipe pegou o celular mal conseguia se sustentar, o chefe condutor o segurava, enquanto os outros passageiros estavam atônitos olhando a cena.
 “Mari, encontre Ricardo Larkin. Só ele pode resolver isso.”
 Mariana com água nos olhos desesperada.
 “Felipe, você está bem? Pelo amor de Deus Felipe!”
 “Mari a Letícia e o Lucas são inocentes. Eu queria salvá-los, mas não posso. Por favor, agora eles dependem de você.”
 Sua mão largou o celular, seus olhos se fecharam e Felipe deitou no corredor do trem. Dois minutos depois a notícia de que os seguranças do trem haviam baleado e matado o atirador.
 "Droga, um policial inconsciente e um atirador morto! Levem Felipe Rulfo para o hospital e descubram quem era este atirador!" 
 No quartel general Alfredo Ferraz queria respostas rápidas. Ele, o agente Pedro e todos os outros esperavam que a agente Mariana esclarecesse o que estava acontecendo. A única pista ou informação sobre o desaparecimento dos jogadores tinha sido alvejada, talvez já estivesse morto neste momento. E a agente Mariana parecia ser uma amiga íntima do policial Felipe Rulfo.
 “Mariana o que está acontecendo afinal? Quem é este policial, como você o conhece?”
 A bela mulher deu um suspiro, pegou forças e respondeu:
 “Comandante, Felipe é um agente infiltrado numa organização de jovens de esquerda. Antes de ser sua comandada eu pertenço a federal e fui eu que sempre monitorei Felipe até ele sumir. Há uns dois meses ele já não respondia mais os chamados.”
 “Isso quer dizer que ele se tornou um criminosos?” Quis saber o comandante Alfredo.
 “Talvez sim, talvez não. Talvez ele estivesse sendo vigiado. Nós vimos que ele corria risco, alguém inclusive atirou nele, não se esqueça.”
 “Você tem razão. Mas o que será que ele quis dizer com um perigo maior?”
 “É o que vamos saber quando localizarmos Ricardo Larkin.”
 O avião do presidente americano pousava no Galeão. Eles puderam ver tudo numa das grandes telas. Na outra a agente Camila colocava a foto de Ricardo Larkin. O texto dizia quarenta e dois anos, engenheiro com doutorado MIT em Boston Massachussetts.
 “Na casa dele disseram que ele está no Maracanã. Nossos homens já o estão localizando no estádio.” Disse Pedro.
 Alfredo virou-se novamente para Mariana que agora tentava segurar as lágrimas.
 “Eu quero saber tudo o que você sabe sobre estas pessoas. Inclusive quem são Letícia e Lucas que ele mencionou.”
 Como ele o comandante geral não sabia a respeito de operação 23 nenhuma? Quem eram estes subversivos? Quantos eram, onde se baseavam?
 Então Mariana começou a narrativa que voltava três anos no tempo para São Paulo em 2011. Ao mesmo tempo que ela contava isto ao comandante, a agente Camila recebeu um telefonema:
 "Você diz que está me ligando da plataforma X?"
 "Sim senhora."
 "O que houve?"
 "Nós não sabemos ao certo. Os comandos não estão respondendo..."
 "E o que eu posso fazer? Não estou entendendo. Qual é o seu nome?"
 "Paulo Toledo... Olha vou tentar falar objetivamente. Se estes comandos não voltarem a funcionar em duas horas a plataforma X pode explodir. Ou melhor dizendo vai explodir!"
 "E jogar petróleo em toda costa do sudeste?"
 "Também. Mas não é só isso. A explosão, levando-se em conta a profundidade desta que é a maior plataforma já construída da história, pode danificar as usinas nucleares de Angra dos Reis."
 Camila pediu que o homem repetisse, porque ela não podia acreditar. Ele repetiu. Ela deu uma pausa e disse seu primeiro palavrão em quinze anos de trabalho:
 "Fodam-se os jogadores americanos! O cara aqui da Petrobrás está dizendo que em duas horas as usinas de Angra vão explodir!!!"
 O que todos pensaram ao mesmo tempo no QG é que se Camila estivesse falando sério, em duas horas todos ali estavam condenados. Inclusive o presidente dos EUA, a presidente do Brasil, muito provavelmente os jogadores americanos e a cidade inteira do Rio de Janeiro.