sexta-feira, 19 de junho de 2015

Atores, diretoras e gastronomia.

Era só um teste de publicidade. Mas a minha mente já ia longe. Sempre que me chamam para trabalhar como ator, me vem James Dean na cabeça. 
Por que James Dean? Acho que quando criança, ou entrando na vida adulta, quando temos de escolher o que fazer da vida, eu ora queria ser arquiteto, ora cineasta. Mas antes disso, de ambas ocupações, eu queria ser ator. 
Queria ser James Dean. 
Meus pais é que me falaram de James Dean pela primeira vez. Disseram-me que ele, o James Dean, tinha algo de sobre natural. Um mito. A geração dos meus pais tem outros mitos também. Che Guevara, Beatles... 
Mas Leo! Você já tem 40 anos de idade, James Dean morreu com 24. James Dean fazia filmes grandiosos. Você está indo fazer um simples teste publicitário. Não tem nada a ver. 
James Dean, não ficava pensando numa crônica antes de filmar. Ele provavelmente pensava no texto, no personagem, na cena, ele era um ator, não um escritor. 
Acho que o negócio do James Dean comigo, era, ou ainda é, algo só pra agradar meus pais. 
Nesta mesma época, em que eles compraram um video cassete, e colocaram “Casablanca” e “Rebelde sem causa” para vermos, eu era fã mesmo do Eddie Murphy, Clint Eastwood e principalmente do Errol Flynn. 
Depois conheci Al Pacino, Jeremy Irons e Peter Sellers. Ai quando entrei na escola de teatro, queria ser Jardel Filho e Sergio Cardoso. 
Então veio uma fase de Diogo Vilella, Pedro Cardoso. E hoje minha cabeça confunde tudo, penso no James Dean, mas é uma mistura de Leonardo de Caprio com Marlon Brando que me vem na cabeça. 
Enfim. Decorei todo o texto. Mas ao chegar ao teste, o produtor de casting, me diz que o meu texto é outro. Que eu não aparento o perfil do texto que eu tinha decorado. Que haviam me mandado. Registro mais jovem no video, ele diz. 
Ao mesmo instante uma menina sai do estúdio e diz pra entrar mais dois atores. Ela passa por todos e vai na rua fumar. É muito jovem. Descubro que é a diretora. Me pareceu simpática. Empolgada. Nunca fui de querer agradar diretores. Sempre quis é agradar a mim mesmo. 
Tento argumentar com a diretora que eu decorei o outro texto, e se por um acaso, eu não poderia fazer os dois textos. O que eu tinha decorado antes, e o novo, que eu tivera só 5 minutos durante a maquiagem pra decorar. 
Claro que eu sabia, que absolutamente, ela não iria perder tempo comigo, fazendo um texto que não é o meu perfil. 
Mas o que queria mesmo era me desculpar, justificar, por não saber tão bem o texto. As vezes atores passam por ingênuos, mas são bem ligeiros. 
“O que você é do Guga Chacra? ”
Ela me perguntou isso depois de olhar para a minha claquete com o meu nome: Leo Chacra. 
“Você conhece o meu irmão? ”
Perguntei por perguntar. É claro que conhece, ele é da TV. 
A verdade é que eu não sabia o texto. A pior coisa que pode acontecer a um ator, é não saber o texto. Fica parecendo que ele é ruim. É como um cantor tentar cantar, sem saber a letra da música. 
Mas há coisas que ninguém explica. Pouco antes de começar a cena, nosso cérebro se divide em dois. Duas metades bem definidas. 
Uma metade busca o texto desesperadamente, busca as marcas, a indicação da diretora, fica pensando na crônica que vai escrever, fica imaginando se a diretora está de regime, por isso sai tanto pra fumar. Se a diretora gosta de meninos, ou de meninas. Se o corpo está solto, na maldita camisa que a figurinista escolheu apertada pra caralho, que me deixa gordo. Na dicção, na contenção dos gestos... 
Já a outra metade da cabeça, sabe-se la de onde, começa a dar entonações, sabe o texto, tem um domínio total do que está acontecendo. Se joga e começa a fazer coisas que nada tem a ver com Leo, ou com James Dean, começa a querer mais. Fazer mais. Não quer mais sair dali. Esta segunda metade, quer fazer a cena, de mais dez maneiras diferentes. 
Enquanto a outra metade, a mais moderada, tímida, racional, só pensa em ir embora, pegar o cache teste. Sair dali o mais rápido possível. Ela sente que eu estou duro. Que as frases saem tremidas. 
No final a diretora bate palmas. 
“Você conseguiu. Deu o texto inteirinho sem errar”.
Convivendo com atores há 23 anos, dirigindo atores, namorando atrizes, e ainda fazendo pontas aqui e lá como ator, chego cada vez mais a conclusão, que ser ator, é a capacidade, de deixar o cérebro funcionando com duas partes independentes que se dão muito bem. 
Mas também sou obrigado a concordar, que a simples química com o diretor, pode fazer um ator render ou ser um total desastre. 
Porque a cena nunca é só do ator. É do diretor também. Pelo menos quando eu estou dirigindo. Como disse o Boal uma vez:
“O diretor, quando dirige, está assim como o pintor quando faz uma tela, criando arte, fazendo arte”.
Deixar de dirigir, quando o ator está sublime, também é uma arte. 
Mas nesta vida já vi de tudo. Já vi diretor dizer que o ator não sabe, e é ruim. Humilhar o ator. E mesmo assim, o ator ir pra casa feliz. 
Como eu disse. Cada um com a sua química. 
O fato é que assim como um grande chef sabe:
“Que um prato, nunca será melhor do que os ingredientes”. 
Um diretor deveria saber, que uma cena, nunca será melhor que o texto e os atores.

Um lugar, de lindos sonhos doces, com cachaça.

Quando as cidades históricas de Minas Gerais foram construídas no século XVIII, não se imaginava qual seria a verdadeira vocação delas: Turismo. 
Diferente de Veneza, por exemplo, as cidades Históricas de Minas Gerais, tiveram o sua ascensão e decadência num intervalo de mais ou menos 50 anos. Ou seja, aquela civilização foi rápida. 
Foram os Paulistas quem descobriram Minas. E por mais absurdo que possa parecer, em São Paulo a arte Barroca, as grandes Igrejas do século XVIII, quase não existem. Ou melhor dizendo, quem já foi ao museu de arte sacra de São Paulo, sabe que elas não existem. 
Em primeiro lugar, os bandeirantes não se consideravam Paulistas. Já que as províncias como são conhecidas hoje, não o eram naquela época.
Com a invenção do Turismo, que consiste em visitar outras regiões, lugares, sem o intuito de conquista-los, os sítios arquitetônicos antigos ganharam outra função. 
Ninguém mais luta no Coliseu em Roma. Bem como ninguém mais é enterrado numa Pirâmide. 
Mas viajamos para ver estereótipos. Mesmo o turismo ecológico, natureza pela natureza, ou o paradisíaco, praias e resorts. Sempre buscamos os Estereótipos. 
No caso de Minas, fogão a lenha, cachaça, roça, leitão, tutu de feijão, paçoca, queijo, lugares bucólicos, construções barracos, artesanato, café, pão de queijo, viola, Guimarães Rosa, grupo Corpo, Inhotim... 
Mas pra mim, e não sei de onde tirei isso, Minas me remete a infância. A ingenuidade. O primeiro beijo atrás da Igreja, festa Junina. Vaquinhas no campo, almoços sem pressa. Pinturas de Guignard. 
De onde viria esta ideia, da falta de maldade em Minas. Como se todos la fossem seres honestos, beirando a pureza?
Depois de mundo refletir, creio que no meu caso, esta ideia vem da Inconfidência Mineira. 
A Coroa Portuguesa, querendo amedrontar a população punindo Tiradentes, fez o oposto. Escrevo isto com base num ensaio do Historiador Boris Fausto, mas só a base. 
Esquartejar um cidadão em praça pública, Tiradentes foi pendurado em Ouro Preto e não no Rio, como um exemplo a ser temido, só fez com que o povo tivesse uma forte identificação com o mesmo. 
Um Império que mata um rebelde, que assumiu a culpa de um grupo, e espalha seu corpo nas ruas onde existem imagens por todo lugar de um Cristo que morreu com o mesmo julgamento, de forma muito semelhante, só poderia ser recebido ao contrário. E foi. 
Alguns Historiadores creem que Tiradentes foi invenção de Vargas. O fato é que ele só veio a luz na República, porque ambos os Pedros Imperadores, eram descendentes diretos de Maria Louca que ordenou a morte de Tiradentes. Logo ignoraram o fato histórico. Que só retornou com a proclamação da República. 
Hoje se sabe, que os Inconfidentes, tiveram contato com as ideias Iluministas mais avançadas da época. E que um dos intuitos era a libertação dos escravos e a fundação de uma Republica na colônia Brasil. Não era pouca coisa. 
De uma atividade tão pesada, como a mineração escravista, vir um sonho de liberdade, igualdade e fraternidade, é algo para se pensar. São contrários. 
Contrários estes, que fizeram a Republica de Minas Gerais, ser um lugar amargo, onde um escravo tinha uma expectativa de vida de sete anos, e ao mesmo tempo um lugar de poetas. Um lugar, de lindos sonhos doces, com cachaça.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Mulheres de 35 +

Mulher de 35 +


 Ano passado, eu vi a transição de verão em outono, num país de clima temperado.  
 Eu estava morando em frente a um parque, por isso vi a transformação das arvores em verdes para coloridas.
 Há um poema de Garcia Lorca, chamado “Verde que te quero verde”. Tive um professor de teatro Argentino, que me disse que os Castelhanos interpretam o verde como sendo a cor da Andaluzia, terra do poeta.
 As pessoas da Andaluzia teriam a pele na cor verde da azeitona. Pode parecer a princípio meio estranho, cor de azeitona, mas se você leitor, parar pra pensar, é uma cor linda.
 Mas o verde do Lorca, também pode ser interpretado por juventude. “Verde pele, verdes tranças”.
 Uma vez uma menina de 29 anos, linda, sumiu. Anos depois, dez anos depois, a reencontrei e perguntei-lhe o que teria havido.
 “Eu estava pra fazer 30 anos, e você me disse que a pele das mulheres mudam com 30”.
 Aquele mal entendido a deixara triste, e com raiva de mim. Acho que eu só queria dizer que a pele muda. As mulheres sempre falam que querem homens “maduros”, mas tem pavor de deixarem de ser “verdes”.
 Ok, verde é mais firme, é mais verde, mas o outono é tão mais bonito.
 Quando eu era criança subia na Pitangueira da praia. As pitangas verdes eram duras e amargas. As laranjas eram um pouco mais moles, mas não tão doces. As vermelhas eram as mais lindas e mais saborosas. Já as pitangas cor de vinho, eram estragadas.
 Aqui eu estou falando das vermelhas. Não das pitangas cor de laranjas-brancas ou as verdes. Mas das laranjas-vermelhas, vermelhas e vermelhas quase vinhos.
 Lembro de uma ex namorada, que fiquei anos sem ver, e um dia a reencontrei para almoçarmos. Ela tirou os óculos escuros e eu pude ver rugas ao lado dos seus olhos. Aquilo a deixava muito mais bonita do que quando com 20 anos.
 Sei que sou ruim de polemica, e muitos vão argumentar que todas idades são belas. E tem seus encantos.
 Mas eu to falando do Central Park em NY. O parque realmente é mais bonito no Outono. As diárias dos hotéis sobem nesta época. Não que as outras estações não tenham seus encantos. E eu acho que a analogia serve para o meu gosto particular.
 Quando eu vejo uma menina bonita de 18, 20 anos, fico imaginando como ela será com 35 +. Aliás, a expressão 35 +, to roubando de uma amiga, a Paula, que mora perto do Parque e sabe o que estou dizendo, e inclusive disse:
 “Por que você não escreve a respeito Leo. As de 35 + vão adorar.
 Sei la uma mulher de 40, 45... Que é linda é linda e ponto. Uma de 20 anos é somente verde e firme. Uma pitanga, digo mulher, só pode ser considerada linda quando chega aos 40. Vejam as flores.
 Eu adoro meninas. Sou louco por elas. Mas minha honestidade poética me diz que as de 35 + são sempre mais bonitas.
 Verão é muito quente. Viva o outono!



quarta-feira, 11 de março de 2015

Os peitos grandes de Laura.

Uma coisa da qual, os americanos, já perceberam há muito tempo, é que mulheres jovens de peitos grandes, impõem respeito. Doutora Laura tinha 37 anos, era alta, gostosa, usava óculos, um rosto sensual, mas nada excepcional e peitos duros e enormes.
Ela ficara famosa pela sua terapia de conversão. O método basicamente consistia, em transformar, “esquerdinhas”, em direitistas convictos.  
 A doutora começou perguntando qual era a minha profissão.
 “Policia”. Falei dando uma risadinha.
 “E você quer começar o tratamento mentindo?”
 Bem da verdade eu não sou policia. Acho que militar pode ser de esquerda, comunista, fascista... Mas a verdade é que policia sempre tem um pé na direita. Também nunca fui um marxista assim... Convicto. Nos meus anos de formação acabei optando pela esquerda. Já nem me lembro mais o por que exatamente. Mas esta posição começou a me atrapalhar ultimamente no escritório. Na carreira, no clube, nas festas em família.
 De repente ser de esquerda ficou fora de moda. Ou fora dos meus círculos de amizade e profissionais.
 A primeira sessão foi interessante. Contei um pouco de mim, da minha vida, falamos de cinema.
 No final, doutora Laura se saiu com esta frase:
 “Você daria um bom policial”.
 Fui embora com aquilo na cabeça. Como teria sido a vida, se eu Jaime, de quarenta e dois anos, ao invés de executivo de banco, fosse um investigador da policia? Ou um detetive Particular? Destes, de romances e filmes policiais?
 Na segunda sessão, contei a Doutora Laura sobre a minha vontade de morar num sitio. Um lugar afastado desta nossa grande metrópole barulhenta.
 “Fale-me mais sobre este sitio. Você teria vontade de plantar o que?” Ela perguntou. Estava muito interessada nisso.
 No final da segunda sessão, doutora Laura, disse que eu tinha alma de cowboy, e que o tal, sitio, era uma vontade inconsciente de ter um rancho, destes de filmes de faroeste.
 Eu argumentei que isto estava mais para cineasta, detetives e cowboys. Do que para estereótipos machões de direita, como soldados, pistoleiros, justiceiros e heróis. E que eu não seria manipulado tão facilmente.
 “Então vamos falar em justiça social”. Ela propôs.
  Coversamos muito sobre justiça social. Aquele papo de boteco sem fim. Ela citou vários economistas de direita. Detonou com vários economistas de esquerda. Deu exemplos de países de esquerda que eram autoritários. E por ai vai. No fundo ela não parecia uma figura propriamente reacionária.
 Na sessão seguinte, voltamos a falar do sitio, rancho, ou o nome que fosse do um lugar bucólico que eu sonhava viver. Nas duas sessões seguintes, falamos do que eu plantaria neste lugar. E como seria a casa. Eu disse que preferia construir do zero uma casa, que seria a minha cara.
 Na semana seguinte, doutora Laura me levou opções de arquitetos que ela havia pesquisado.
 Ficamos mais umas três sessões discutindo o arquiteto. Eu disse que havia visto terras a cem, cento e cinquenta quilômetros de São Paulo. 
  Continuei a fazer analise com Laura, por meses. Ela acompanhou meu divorcio. A compra do terreno. A escolha da cozinha, o paisagista.
 Depois a escolha do bufê, da igreja, dos padrinhos. Casamos-nos no sitio. Eu e Laura.  
 Ela passou a atender pacientes da cidadezinha próxima. E eu investi minhas economias numa produção de alimentos orgânicos.
 Laura desistiu do método, de transformação e recuperação de esquerdistas. Passou a dedicar-se a terapias convencionais. Vamos juntos as aulas de ioga.
 E eu confesso. A primeira vez que bati os olhos nos peitos de Laura, eu soube. Não foi no consultório. Foi antes. Numa festa de um conhecido de um amigo. Foi difícil convencê-la de que eu era um romântico esquerdista. Confesso que me apaixonei por eles. Os peitos. Depois por ela.
 “Ela converte marxistas em libertários”.
 “Dizem que ela tem um método”.
 Após um ano morando juntos, no nosso sitio, ela também confessou.
 “Nunca tive método nenhum. Achei na primeira sessão que você era meio biruta. Depois investiguei, e acabei descobrindo, que alguém tinha pregado uma peça na gente. Mas daí já estávamos vendo o arquiteto, o cartório... E simplesmente fui em frente. Pensei o cara é um babaca, fingir que é paciente, mas tem cura. O problema é que me apaixonei pelo projeto de vida dele. Seu projeto”.
 “Nosso”. Eu emendei, enquanto tomávamos vinho Frances, acompanhado do nosso queijo caseiro, assistindo Havana Connection no youtube.






sábado, 20 de dezembro de 2014

Casais.

 Marcos viu Priscila a primeira vez na padaria. O rapaz lia jornal num sábado de uma manhã quente. Numa mesa mais ao canto.
 Ela sentou-se na sua frente. Com outra mesa entre eles.
 De onde eu conheço esta menina? Ele pensou.
 Priscila era um espetáculo. Alta, sensual, languida, ria feliz. Talvez estivesse acordando de uma noite espetacular.
 Falava ao telefone ao mesmo tempo que mordia as torradas. Uma boca carnuda, dentes brancos e lindos. Não notou a presença de Marcos.
 Ele disfarçava, mas o fato é que nem lia mais as notícias. Só tentava disfarçadamente olhar a moça. Ela devia ter uns 25, quem sabe 28 anos. Não mais.
 Priscila se levantou e partiu. Que pernas!
 Segundos depois ele se lembraria. De onde conhecia Priscila.
 Ela era filha da Marta!
 Um fim de semana antes, na piscina do clube, ele e Marta conversavam sobre casamentos, ex-maridos e ex-esposas. Aquela coisa toda. Eram ambos da mesma turma. Embora com idades diferentes.
 Marta falara de quando fora casada com um Italiano, depois de quando morou na França com um Americano.
 Marta fora modelo. Era alta, mais de ossada larga. Na época se usava muito, diferente das modelos magras de hoje.
 Os dois tomavam caipirinha, e a passaram a tarde juntos.
 Marta o teria mostrado fotos da filha.
 “Priscila. Ela tem 26 anos. Filha do Americano”.
 Com o pretexto de ter visto Priscila na padaria, Marcos ligou para Marta.
 Saíram para jantar.
 Dias depois se encontraram de novo na piscina. Tornaram a sair. Começaram a namorar. Um mês se passou.
 Depois, de uma noite de amor, os dois foram num sábado de manhã, tomar café naquela mesma padaria.
 Neste dia, Marcos, curioso, disse que queria conhecer Priscila, filha de Marta. Já que ela era o pretexto deles estarem se vendo.
 “Impossível”. Ela disse.  
 “Mas por que é impossível?” Ele quis saber.  
 Nisto, Gil, funcionário da padaria interrompe:
 “Requeijão do lado como sempre Dona Marta?”
 Marcos olha surpreso para Marta. Ela sorri. Gil deixa o requeijão ao lado, sem entender e sai.
 “Faz um ano que ela está na França com o pai”.  
 “Então era você? Sempre foi você, o tempo todo?”
 “Acho que sempre foi. Desculpe. Mas eu me diverti tanto, em ser confundida com minha filha. Me fez tão bem”.
 E foram juntos pra piscina. Felizes. O casal.






terça-feira, 21 de outubro de 2014

Fury, mais que linda.


Era um dormitorio de estudantes, la pelo meio dos anos 90. Em Boston. Cada andar tinha um hall, com um sofa e um orelhao.
 Sai do quarto, para ir sei la onde, e ao cruzar o hall, a vi pela primeira vez. Ela tentava fazer uma ligacao para sua terra. A Alemanha. Estava de costas, eu falei qualquer coisa, sobre como usar aquele orelhao melodramatico.
 Ela se virou com uma cara sem expressao. E disse um obrigado.
 Eu quase nao acreditei. Tereza, ou Terreze, como ela dizia, era a mulher mais linda que eu ja vira na minha vida. Juro!
 Acho que comecei a interagir com outros estudantes que estavam por ali. Ela continua a tentar ligar, e ao mesmo tempo me olhava, vez ou outra.
 No dia seguinte nos encontramos na escola de Ingles. Depois nos cruzamos de novo no dormitorio. E ela me olhava.
 No terceiro dia, me chamou para almoçar. Fomos para uma praça. Nao lembro como aconteceu. Eu falava de um tenis que eu tinha comprado, e ela mordia uma maçã.
 Acho que ela usava uma camiseta polo branca justa. Seus peitos enormes e lindos. Me falou que mergulhava todos os anos no Caribe com a familia. E que era de Heidelberg.
 Eu disse que conhecia Heidelberg. O Castelo de Heidelberg. Que sorte eu tive, de ter um pai, que me levou ainda muito jovem, para lugares tao inusitados.
 Ela sorriu. Tereza parecia ser bem inteligente. E eu ficava bem avontade com ela. Parecia pouco se importar com o fato de eu ser um barbaro, da America do Sul. Ao contrario acho que ate gostava da ideia.
 A noite rolou um beijo. Como dividiamos os quartos com outras pessoas, fomos para o banheiro. Foi la que ela me mostrou os peitos pela primeira vez.
 Como eu posso descrever. Era como se eu estivesse vendo uma obra prima viva. Ela me pegou pela mao, e fomos para o parque. Na beira do rio.
 Eu como todo Brasileiro de cidade grande, achava a todo momento, que seriamos atacados, assaltados, mortos, mas depois de perceber que nada aconteceria, relaxei.
 Lembrei disso tudo hoje, porque vi um filme chamado Fury.
 Eh sobre o final da segunda guerra, em 1945, travado ja em terra Alema. Com uma populacao civil morrendo de fome, eh o primeiro filme americano que ja assisti que descreve os Norte-Americanos, como sendo as vezes menos bons, do que os Alemaes. Ou ainda tao malvados quanto.
 O filme insunua que as tropas Norte-Americanas, abusavam, estupravam as meninas alemas. E mostra como os Americanos as vezes matavam os Alemaes a sangue frio, mesmo depois deles, Alemaes, terem se rendido.
 A menina do filme me lembrou Tereza. O soldadinho americano, jovem, cristao e sensivel, me foi uma indentificaçao natural, comigo mesmo.
 Um romance rapido, imprevisivel, e nunca mais soubemos um do outro.
 A diferença, eh que Tereza, ao contrario da menina de 1945, em 1995, era rica, cosmopolita e falava muito bem  Ingles. Com aquele sotaque lindo, que so as Alemanzinhas tem.
  Va assistir Fury. E se voce nao gosta de menias Alemas. Tem toda uma sequencia, do Brad Pitt, que claro nao eh o menino, eh outro personagem, sem camisa e fazendo a barba.

 Fica a dica.  

sábado, 18 de outubro de 2014

Joana.


 Era um fim de semana na praia. Ceu azul, mais fazia frio. O mar estava de resseca. Nao so ele. Eramos dois casais.
 Eu, minha namorada Flavia, sua amiga Joana e Pedro, namorado de Joana. Como voce pode concluir pelo titulo, leitor, trata-se de um caso que eu tive com Joana.
 Haviamos saido na noite anterior e bebido muito. Por isso nem Flavia, nem tao pouco Pedro, se animaram a andar na praia.
 Depois do cafe, fiquei ali no jardim olhando para praia. Quando virei para tras, vi Joana se aproximar de shorts, camiseta e oculos escuros.
 “Vamos andar?” Ela convidou.
 Nao vi necessedade de pedir permissao para Flavia. Fomos.
 Tanto Joana, quanto Flavia eram mulheres interessantes. E lindas tambem.
 Mas que tipo de assunto se pode ter com uma mulher, sensual, interessante, num dia lindo? Digo uma mulher que a principio nao se sabe qual eh a relacao dela com voce. Ou se existe alguma relacao.
 Foi o que as pessoas chamam de dia perfeito. Sol, praia, seducao.
 Como descobrir o que aquela mulher achava ao meu respeito?
 Imagine o quanto ela devia saber ao meu respeito? Como eu era na cama, o tamanho do meu pinto, se eu era carinhoso, se eu era violento, se eu gostava de fio terra, se eu roncava, se eu cheirava mal de manha, a noite, que posicoes eu gostava... Meu Deus!
 Flavia sempre disse que era muito discreta. Mas mulheres sao super abertas com as melhores amigas. Algumas aumentam as qualidades do namorado, para se fazerem de bacanas. Outra aumentam os defeitos, para nenhuma tentar rouba-lo.
 Sera que Flavia disse que eu ganho menos do que eu ganho no trabalho, para Joana?
 Sobre o meu chefe que me mal trata? Do dinheiro que a minha mae me emprestou? Nossa que vergonha! Ela deve saber de todas as minhas cacadas. Deve me achar um idiota. Que misterio pode ter sobrado.
 E ao mesmo tempo eu nao sabia aparentemente nada a respeito dela. Sabia que ela tinha ido viajar, e voltara antes e pegara uma Portuguesa dentro da casa dela com Pedro. Sim os dois moravam juntos.
 Pedro pedira mil desculpas. Disse que se arrependera e tal. Motivo pelo qual ele nem pode questionar, se a namorada anda comigo ou nao, na praia. Estava em fase de so concordar com ela. Coitado.
 Mas sera que esta era mesmo a historia. E como eu poderia saber, se Flavia me contara tambem em segredo.
 Paramos para nadar. Ela tirou a camiseta e o shorts e eu me surprendi. Sim, porque o corpo de Joana era muito mais lindo do que eu imaginava. Entramos na agua juntos.
 Ou seja, estavamos ficando intimos. Acho.
 A melhor amiga da namorada...
 Existem infinitas mulheres no mundo com as quais voce pode trair a sua namorada. Sem que ela nunca fique sabendo.
 Se bem que Pedro partiu deste principio, arrumou uma Portuguesa e foi pego.
 Ali dentro da agua, senti que Joana desejava alguma coisa comigo. Mas o que seria? Me seduzir por seduzir?
 Nao sei o que me deu, mas fui chegando perto, as ondas batendo, e dei um beijo em Joana. Ela correspondeu.
 Agora eramos o casal mais escroto do mundo. Eu estava traindo minha namorada com a melhor amiga dela.
 Como era inverno a praia estava quase que deserta, por isso transamos ali mesmo na agua. Paravamos quando uma serie de ondas vinha, e depois recomecavamos.
 Foi muito bom.
 O resto do fim de semana voce pode imaginar leitor. Fomos a um restaurante, ficamos os quatro na mesa. Joana beijava Pedro na minha frente, eu abracava Flavia.
 Viemos os quatro no carro na estrada, Flavia dirigindo, ate Sao Paulo.
 A Flavia e eu ainda namoramos mais quatro anos. Pouquissimas vezes eu fui infiel. Diria que ao todo, umas tres vezes.
 Depois daquele fim de semana eu nunca mais falei com Joana. Nos encontramos ocasionalmente, mas o fato eh que ela Flavia foram se afastando. Coisas da vida. A verdade eh que elas eram amigas de infancia. Mas com o tempo foram mudando os interesses.
 Como agora eu estava oficialmente solteiro, acabei combinando um jantar com Joana.
 No jantar conversava-mos de tudo. Ate sobre a Portuguesa. Sim a historia era verdadeira. Ela ja nao via o Pedro desde aquela epoca da praia, anos atras.
 Namorara mais dois caras, romances rapidos.
 Joana falava muito no jantar. Nao tinha muito misterio nas coisas que ela dizia. A achei tao diferente, daquele dia perfeito na praia.
 Suas roupas eram meio fora de moda. Sem estilo. Nossa conversa nao fluia, ela fazia piadas nas quais so ela ria.
 Depois do jantar fomos para minha casa. Foi um sexo ruim. Ela resolveu ficar.
 Na manha seguinte fazia um lindo dia de inverno. E adorei quando ela foi realmente embora.
 Nunca mais liguei para Joana.
 Mas sempre vou lembrar aquela andanda na praia. Anos atras.
 O oculos escuro, ela, Joana, tao serelepe, um dia tao azul, com mar verde. A pele dourada. A melhor amiga da minha namorada...

 E tem gente que acha que os detalhes nao importam.