Uma história real
O noivo
Ele e seus pais tinham perdido à hora da igreja, logo iriam direto para festa no bufett. Pegaram sua namorada e lá se foram perfumados e em trajes de gala. Avistou o primo distante, não tinha como errar, era o único vestido de noivo.
Por um minuto se surpreendeu que o primo não estivesse tão calvo (carequinha), e bem mais magro.
O noivo por sua vez pareceu não reconhecê-lo. Apresentou sua namorada à noiva, bom a noiva não era parente e só ria. Um conhecido se aproximou e quis saber como ele estava no casamento, qual era a filiação, o conhecimento, enfim a relação dele com o casamento:
-Hora o noivo é meu primo.
-Você é primo do Feirnman?
-Não. Eu sou primo do noivo.
Ele seguiu de mãos dadas com a namorada à procura do pai e da mãe, esses já tinham pegado uma mesa e conversavam alegremente com os outros convidados. Mas onde estavam os parentes conhecidos? De repente se deu conta.
-Mãe, o Jocão tem apelido de Feirnman? Foi aí que a mãe olhou em volta, fechou o sorriso e falou no ouvido do pai. Esse por sua vez também ficou sério largou o uísque e em segundos estavam pedindo o carro no vallet.
Já no carro a mãe olhou o convite, era o lugar certo, mas o dia errado. O casamento havia sido um dia antes.
A noiva
Lá estava eu numa igreja linda, sentado naqueles bancos desconfortáveis. Feio dizer isso, mas no catolicismo se os bancos da igreja são esses, imagine os de lá de dentro da terra. Casamentos nunca dão errado. Digo sofremos, mas a trama sempre acaba bem.
Aquela música clássica, coral, flores e eis que naquele lugar de figuras masculinas mal-humoradas (os santos), entra a noiva. Um casamento é a vingança das mulheres, porque ninguém está nem aí para o noivo. A noiva é a protagonista. É o feminino dominando o pedaço.
E nesse dia a noiva era realmente um espetáculo, e antes daquele sim no microfone, aquele: “Aceito, na saúde e na doença”. Eis que uma outra linda jovem grita:
-Não case Marta. (Pausa). - Não se case Marta.
Só tinha visto aquilo em filme, alias nem em filme. Uma menina pedindo à noiva que não se case?
Uma pausa, um silencio. Quebrado de novo pela jovem:
-Eu te amo Marta.
E do meio da igreja, um rapaz magro e feio também se levanta e diz:
-Marta não se case com ele.
Eu nessa hora pensei, quantos apaixonados têm essa Marta? Deve ser horrível ver alguém que se ama casar com outro. E ele continuou:
Não se case Marta. Eu te amo Alberto!
Aí o padre parou. Aí o mundo parou. Aí eu juro que eu vi os santos sorrirem. Os bancos ficaram mais confortáveis.
Marta saiu correndo e abraçou Joana e se beijaram. Alberto gritava do altar:
-Ta louca? Ta louca? Ta louca?
E depois saiu correndo. Não entendi se a louca era Marta ou outro rapaz magro e feio.
Epílogo
Mas a família não desanimou, e não sei por que motivo, se os trajes, a lua, a economia indo bem, que o pai, ainda no carro, teve a idéia de ir jantar no Fasano. Os funcionários do fino restaurante acharam se tratar de gente interiorana ao verem todos com roupa de festa.
Isso tudo leitor não é ficção. Aconteceu de verdade. Ok os santos não sorriram. Aumentei, mas o resto é real.
Brindamos ao primo Jocão. Olhei um homem na mesa ao lado e o reconheci. Era Chico Buarque de Holanda e esse sorria. De livre espontânea vontade.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Você quer ver ela?
Anos cinqüenta, Nova York. Duas mulheres andam pelas movimentadas ruas da cidade.
-Esta vendo, ninguém te percebe. Por isso que você tem de estudar, para ser uma atriz de verdade, se não você é só mais uma bonitinha como milhares de outras.
São Paulo, 2010, eu vejo duas meninas meio loiras, num restaurante japonês almoçando. Elas estão à-vontades com os palitinhos, pronunciam os nomes dos pratos num japonês impecável, o garçom nordestino também fala como se não fosse um gaijin. Elas tinham tudo para serem sensuais, mas não são. É como se fossem dois corpos tranqüilos, zens. Os corpos são jovens, mas há algo nelas de senhoras.
Eu penso comigo mesmo, será que elas estariam ali se nunca houvesse existido Marilyn Monroe?
Antes que o leitor me ache cafona, eu explico. Atrizes e cantoras são seres feitos de sonhos. Bailarinas e qualquer mulher que seja uma mestra no palco também.
Aquelas duas meninas no japonês me hipnotizaram. Não pela beleza e sim porque nada acontecia. Elas conversavam com tranqüilidade, como se fossem de água. Até que elas se transformaram num retrato, numa tela. Até que elas se transformaram em duas japonesas. Não eram mais elas e sim um quadro.
As pessoas numa cidade, ou na praia, nas calçadas, sempre se tornam paisagens.
Não as cantoras, nem as atrizes e claro nem bailarinas. Quando são talentosas, por mais comuns que pareçam, meu radar apita. Nenhum fotógrafo, nenhum retratista consegue aprisioná-las. Por isso os paparazzis tentam em vão tirar centenas de retratos.
Aquela tarde em Nova York a modelo-atriz não queria atenção, não queria puxar o foco, mas a professora, mulher do Lee Strasberg provocou tanto que numa doce voz ela disse:
-Você quer ver ela?
E no instante seguinte todas as pessoas na rua que pareciam antes não tela notada, agora se aglomeravam em volta dela.
Antigamente uma mulher assim teria sido considerada uma bruxa e queimada numa fogueira.
Marylin não foi queimada. Não acordou. O FBI disse que foi over dose.
Espanta-me aquela intelectualidade sem talento querer ensinar alguma coisa, para a mulher que seduziu não só o maior dramaturgo de seu tempo, como também o presidente mais famoso da história do seu país. Ensinar o que?
Outro dia saiu um livro dizendo que a cena de “Psicose” (a do chuveiro) é a maior seqüência da história do cinema. Sei lá.
Pra mim Marilyn é mais que cinema. Não existe nenhum “parabéns a você” em que eu não vejo essa mulher saindo do sopro do aniversariante ao apagar as velas. Como uma Millus de vênus.
O rei Arthur teve seu feiticeiro Merlin. Arthur Miller a bruxa Marylin. E Billy Wilder nos deu Marylin Monroe.
-Esta vendo, ninguém te percebe. Por isso que você tem de estudar, para ser uma atriz de verdade, se não você é só mais uma bonitinha como milhares de outras.
São Paulo, 2010, eu vejo duas meninas meio loiras, num restaurante japonês almoçando. Elas estão à-vontades com os palitinhos, pronunciam os nomes dos pratos num japonês impecável, o garçom nordestino também fala como se não fosse um gaijin. Elas tinham tudo para serem sensuais, mas não são. É como se fossem dois corpos tranqüilos, zens. Os corpos são jovens, mas há algo nelas de senhoras.
Eu penso comigo mesmo, será que elas estariam ali se nunca houvesse existido Marilyn Monroe?
Antes que o leitor me ache cafona, eu explico. Atrizes e cantoras são seres feitos de sonhos. Bailarinas e qualquer mulher que seja uma mestra no palco também.
Aquelas duas meninas no japonês me hipnotizaram. Não pela beleza e sim porque nada acontecia. Elas conversavam com tranqüilidade, como se fossem de água. Até que elas se transformaram num retrato, numa tela. Até que elas se transformaram em duas japonesas. Não eram mais elas e sim um quadro.
As pessoas numa cidade, ou na praia, nas calçadas, sempre se tornam paisagens.
Não as cantoras, nem as atrizes e claro nem bailarinas. Quando são talentosas, por mais comuns que pareçam, meu radar apita. Nenhum fotógrafo, nenhum retratista consegue aprisioná-las. Por isso os paparazzis tentam em vão tirar centenas de retratos.
Aquela tarde em Nova York a modelo-atriz não queria atenção, não queria puxar o foco, mas a professora, mulher do Lee Strasberg provocou tanto que numa doce voz ela disse:
-Você quer ver ela?
E no instante seguinte todas as pessoas na rua que pareciam antes não tela notada, agora se aglomeravam em volta dela.
Antigamente uma mulher assim teria sido considerada uma bruxa e queimada numa fogueira.
Marylin não foi queimada. Não acordou. O FBI disse que foi over dose.
Espanta-me aquela intelectualidade sem talento querer ensinar alguma coisa, para a mulher que seduziu não só o maior dramaturgo de seu tempo, como também o presidente mais famoso da história do seu país. Ensinar o que?
Outro dia saiu um livro dizendo que a cena de “Psicose” (a do chuveiro) é a maior seqüência da história do cinema. Sei lá.
Pra mim Marilyn é mais que cinema. Não existe nenhum “parabéns a você” em que eu não vejo essa mulher saindo do sopro do aniversariante ao apagar as velas. Como uma Millus de vênus.
O rei Arthur teve seu feiticeiro Merlin. Arthur Miller a bruxa Marylin. E Billy Wilder nos deu Marylin Monroe.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Em algum lugar do século xx
Em algum lugar do século vinte, temos uma praça no centro de uma grande cidade. Um menino engraxate puxa conversa com seu cliente, um senhor gordo burguês de terno:
-Dizem que se o Carlão estivesse aqui às coisas seriam melhores. O cliente continua a ler o jornal.
-Com o Carlão as pessoas ririam mais. Empolga-se o pequeno engraxate. -Teriam uma reflexão a respeito das coisas, não se deixariam ser ridicularizadas. O cliente para de ler o jornal e ainda olhando o infinito presta atenção.
-O Carlão é a melhor pessoa do mundo. É de um cidadão assim que o nosso país precisa. O cliente sem grandes alardes levanta e começa a bater no engraxate e gritando:
-Qual Carlão? O Carlão Marx? Responde seu subversivo! Qual Carlão? O Marx? Seu comunista!
O menino não consegue falar por conta dos chutes do burguês. Com dificuldade defendendo a barriga ele apontava para o pôster do cinema central que trazia mais um sucesso do Carlão: “Kid”, escrito e dirigido por Charles Chaplin, ou Carlitos para íntimos.
Em algum lugar do século vinte, um homem enfrenta tanques numa praça de uma grande cidade. O tanque encara o homem. O tanque pensa consigo mesmo. “Será que esse homem não sabe que eu sou um tanque comunista? Que eu existo para defender a igualdade das pessoas? Porque ele se posta na minha frente?”
Esse tanque nunca mais foi visto.
Em algum lugar do século vinte, temos um jovem brasileiro de vinte anos, que cruza com uma linda polonesa em Boston down town. Ela lhe dá um livro sobre o Dalai Lama. Mas ele estava convencido, sua religião era o Marxismo.
Em algum lugar do século vinte eu era pra me chamar Gabriela. Em algum lugar do século vinte esse jovem foi cara pintada. Esse jovem sempre quis se filiar ao partido. Mas sabia o que ia ouvir e sabia que no fundo ele era um falso marxista.
Em algum lugar, ele pinta a cara novamente. Ele tem um nariz vermelho e nenhuma ágorafobia. Seu guia é o Carlão inglês. O engraxate agora ri e o cliente lhe dá uma boa caixinha. Não se vê nenhum tanque. As igrejas continuam de pé. Mas com certeza já não estamos em nenhum lugar do século vinte.
-Dizem que se o Carlão estivesse aqui às coisas seriam melhores. O cliente continua a ler o jornal.
-Com o Carlão as pessoas ririam mais. Empolga-se o pequeno engraxate. -Teriam uma reflexão a respeito das coisas, não se deixariam ser ridicularizadas. O cliente para de ler o jornal e ainda olhando o infinito presta atenção.
-O Carlão é a melhor pessoa do mundo. É de um cidadão assim que o nosso país precisa. O cliente sem grandes alardes levanta e começa a bater no engraxate e gritando:
-Qual Carlão? O Carlão Marx? Responde seu subversivo! Qual Carlão? O Marx? Seu comunista!
O menino não consegue falar por conta dos chutes do burguês. Com dificuldade defendendo a barriga ele apontava para o pôster do cinema central que trazia mais um sucesso do Carlão: “Kid”, escrito e dirigido por Charles Chaplin, ou Carlitos para íntimos.
Em algum lugar do século vinte, um homem enfrenta tanques numa praça de uma grande cidade. O tanque encara o homem. O tanque pensa consigo mesmo. “Será que esse homem não sabe que eu sou um tanque comunista? Que eu existo para defender a igualdade das pessoas? Porque ele se posta na minha frente?”
Esse tanque nunca mais foi visto.
Em algum lugar do século vinte, temos um jovem brasileiro de vinte anos, que cruza com uma linda polonesa em Boston down town. Ela lhe dá um livro sobre o Dalai Lama. Mas ele estava convencido, sua religião era o Marxismo.
Em algum lugar do século vinte eu era pra me chamar Gabriela. Em algum lugar do século vinte esse jovem foi cara pintada. Esse jovem sempre quis se filiar ao partido. Mas sabia o que ia ouvir e sabia que no fundo ele era um falso marxista.
Em algum lugar, ele pinta a cara novamente. Ele tem um nariz vermelho e nenhuma ágorafobia. Seu guia é o Carlão inglês. O engraxate agora ri e o cliente lhe dá uma boa caixinha. Não se vê nenhum tanque. As igrejas continuam de pé. Mas com certeza já não estamos em nenhum lugar do século vinte.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
“A melhor maneira de se evitar um soco é não estar lá”.
Uma amiga começou a treinar boxe. Ela que é uma amiga antiga se surpreendeu de quanto eu conheço sobre o assunto. Mas também alguém como eu, que dedica grande tempo à leitura, documentários, museus é natural que saiba um pouco de muitos assuntos, mas nem sempre muito de um assunto só.
O fato é que me lembrei de Billy Elliot que para mim é o filme que mais me perturbou até hoje, eu só o assisti uma única vez. Prestando atenção nele, eu identificava dois assuntos, ou ainda duas coisas que eu adoro, colocadas juntas: o boxe e o ballet.
Foi então que a minha amiga perguntou por que eu não treinava boxe com ela? “Vamos vai ser legal”.
Veio então o estalo, como diz outra amiga. Eu me perturbei com Billy Elliot, mas nada tem a ver com o boxe. É a escolha dele pelo ballet, em se assumir artista, em se aceitar é que sempre me perturbou.
E fui mais longe. Eu não gosto e nem nunca gostei de boxe. Em 35 anos de vida eu nunca vi uma só luta de boxe. A não ser as dezenas e dezenas de filmes americanos e umas duas lutas do Maguila pela televisão. Nunca uma ao vivo de verdade. E nem vou.
E o pior, sim leitor, que vergonha eu simplesmente amo ballet. Desde a primeira exibição que eu vi na vida. Freqüento dança pelo menos uma vez por mês. Mas por que então me enganar dizendo para os outros e pra mim mesmo que eu adoro boxe? Não tenho a menor idéia.
De carro uns dias atrás, passei numa rua a noite onde ocorria um linchamento de um rapaz por outros seis homens. Um quarteirão depois um casal se beijava. O casal com certeza desconhecia que a poucos metros dali um homem era espancado.
Eu nunca entendi se esse Billy Elliot é uma comédia ou o quanto ele é inspirado na vida do ator Laurence Olivier. O que acho incrível é o fato de eu ter demorado dez anos para entendê-lo. Agora outro filme interessantíssimo, mas nada perturbador é Karate Kid.
Com um passo de dança o herói liquida o vilão. Se não me falha a memória essa frase é de Seu Miag:
“A melhor maneira de se evitar um soco é não estar lá”.
Simples assim. “A alface não significa nada para o tigre, já para o coelho”...
O fato é que me lembrei de Billy Elliot que para mim é o filme que mais me perturbou até hoje, eu só o assisti uma única vez. Prestando atenção nele, eu identificava dois assuntos, ou ainda duas coisas que eu adoro, colocadas juntas: o boxe e o ballet.
Foi então que a minha amiga perguntou por que eu não treinava boxe com ela? “Vamos vai ser legal”.
Veio então o estalo, como diz outra amiga. Eu me perturbei com Billy Elliot, mas nada tem a ver com o boxe. É a escolha dele pelo ballet, em se assumir artista, em se aceitar é que sempre me perturbou.
E fui mais longe. Eu não gosto e nem nunca gostei de boxe. Em 35 anos de vida eu nunca vi uma só luta de boxe. A não ser as dezenas e dezenas de filmes americanos e umas duas lutas do Maguila pela televisão. Nunca uma ao vivo de verdade. E nem vou.
E o pior, sim leitor, que vergonha eu simplesmente amo ballet. Desde a primeira exibição que eu vi na vida. Freqüento dança pelo menos uma vez por mês. Mas por que então me enganar dizendo para os outros e pra mim mesmo que eu adoro boxe? Não tenho a menor idéia.
De carro uns dias atrás, passei numa rua a noite onde ocorria um linchamento de um rapaz por outros seis homens. Um quarteirão depois um casal se beijava. O casal com certeza desconhecia que a poucos metros dali um homem era espancado.
Eu nunca entendi se esse Billy Elliot é uma comédia ou o quanto ele é inspirado na vida do ator Laurence Olivier. O que acho incrível é o fato de eu ter demorado dez anos para entendê-lo. Agora outro filme interessantíssimo, mas nada perturbador é Karate Kid.
Com um passo de dança o herói liquida o vilão. Se não me falha a memória essa frase é de Seu Miag:
“A melhor maneira de se evitar um soco é não estar lá”.
Simples assim. “A alface não significa nada para o tigre, já para o coelho”...
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Mr. Colde e a origem do pólo a mulas.
Ainda em Cambridge nas minhas pesquisas sobre a origem da sexta vogal me deparei com uma teoria sobre a origem do pólo a mulas. As coisas não acontecem por acaso. O historiador alemão Sodespy Huimcitec em viagem pelo Brasil, descobriu que no interior do Piauí, um criador de mulas, não se sabe exatamente por qual motivo, ao ver fotos de um jogo de pólo aquático numa enciclopédia acreditou que os nadadores estivessem montados em cavalos.
Ele durante algum tempo tentou ensinar suas mulas a arte da natação. Importou um técnico americano que se demitiu após surpreender o senhor Gonzaga, criador em questão, bolinando uma das suas alunas. E também por não acreditar em natação praticada em açudes.
Com um apreço pelos direitos dos animais esse senhor Gonzaga não aceitou o fato dos cavalos (mulas) ficarem dentro da água. Logo, tentando ainda nos anos vinte, adaptar o pólo para uma área sem piscinas, criou não o pólo clássico, mas o atual pólo contemporâneo. Um pólo jogado por quatro participantes em cima de quatro mulas.
Descobri na cidade de Teresina, capital da província do Piauí, que eles aqui são os campeões mundiais em pólo a mulas. Seguidos pelos cearenses.
Uma partida pode levar de duas horas a três dias inteiros dependendo se é época de eleição ou não. Porque nesse período os patrocinadores pedem que as mulas com seus painéis pintados fiquem mais tempo expostas.
Já sobre a sexta vogal ainda me é um mistério. Um outro historiador dessa vez o brasileiro, Wilmar da Costa Aguiar, teorizou que a descoberta da sexta vogal teria relação com o atentado da Rua Toneleros. Evento no qual o líder da oposição de Vargas, Carlos Lacerda quase foi morto. Tanto Lacerda quanto o presidente Getúlio Vargas tiveram acesso a sexta vogal. E sendo isso verdade, logo Vargas foi morto e depois forjaram um suicídio. Hora quem forjou? Eles. Obvio. Quem são eles? Hora quem? A CIA.
Tudo se encaixa nessa teoria da conspiração. O pólo a mulas, a sexta vogal, o suicídio de Getúlio e a descoberta do Guaraná, Santos Dumont a rede Globo, o Niemayer e eu ainda arriscaria aquele José Celso Martinez Correa.
Ele durante algum tempo tentou ensinar suas mulas a arte da natação. Importou um técnico americano que se demitiu após surpreender o senhor Gonzaga, criador em questão, bolinando uma das suas alunas. E também por não acreditar em natação praticada em açudes.
Com um apreço pelos direitos dos animais esse senhor Gonzaga não aceitou o fato dos cavalos (mulas) ficarem dentro da água. Logo, tentando ainda nos anos vinte, adaptar o pólo para uma área sem piscinas, criou não o pólo clássico, mas o atual pólo contemporâneo. Um pólo jogado por quatro participantes em cima de quatro mulas.
Descobri na cidade de Teresina, capital da província do Piauí, que eles aqui são os campeões mundiais em pólo a mulas. Seguidos pelos cearenses.
Uma partida pode levar de duas horas a três dias inteiros dependendo se é época de eleição ou não. Porque nesse período os patrocinadores pedem que as mulas com seus painéis pintados fiquem mais tempo expostas.
Já sobre a sexta vogal ainda me é um mistério. Um outro historiador dessa vez o brasileiro, Wilmar da Costa Aguiar, teorizou que a descoberta da sexta vogal teria relação com o atentado da Rua Toneleros. Evento no qual o líder da oposição de Vargas, Carlos Lacerda quase foi morto. Tanto Lacerda quanto o presidente Getúlio Vargas tiveram acesso a sexta vogal. E sendo isso verdade, logo Vargas foi morto e depois forjaram um suicídio. Hora quem forjou? Eles. Obvio. Quem são eles? Hora quem? A CIA.
Tudo se encaixa nessa teoria da conspiração. O pólo a mulas, a sexta vogal, o suicídio de Getúlio e a descoberta do Guaraná, Santos Dumont a rede Globo, o Niemayer e eu ainda arriscaria aquele José Celso Martinez Correa.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Maria Califórnia
Era o seu primeiro dia. Alias era o primeiro trabalho também da jovem garçonete. Ela cursava faculdade e dava esse passo em direção a sua independência. Livrar-se-ia em breve de seus pais e conquistaria o mundo. O gerente um rapaz, um pouco menos jovem, porém bonito como ela não se impressionara quando ela dissera que já havia morado na Europa e que alem do inglês, falava um pouco de francês.
Eis que em uma mesa ela vê a sua primeira oportunidade rumo a uma carreira de sucesso. Ela identifica um cliente famoso. Um escritor. Ela corre até o gerente, um tanto quanto emocionada por logo no seu primeiro momento profissional da vida ter uma atitude tão competente.
O gerente olha para o casal famoso, mas só vê um homem triste e uma mulher contida ambos bem clássicos e caretas. Diria até uns nerds.
-Tem certeza? Pergunta o gerente.
-Absoluta. Seu nome é Marshall Smello. Escreveu “Maria Califórnia”. Aquele romance cult dos anos oitenta. Você sabe qual né? Aquele que influenciou o Kurt Cobain.
-Claro. Respondeu o gerente disfarçando a sua falta de cultura tanto pop quanto literária.
O gerente mandou o jantar de cortesia, ofereceu uma garrafa de vinho e a equipe foi até lá tirar fotografias com a celebridade.
O casal desde o início não compreendeu muita coisa. O cliente estava meio desconfiado, era um tanto pessimista. A esposa já tontinha com o vinho lhe disse para se acalmar. Finalmente o seu trabalho era reconhecido. Até que o homem não se conteve e perguntou ao gerente:
-Afinal o senhor me desculpe...
-Pois não. Disse o gerente já feliz em ter a posse da foto.
-Eu tenho uma memória fraca. Quem aqui é meu paciente?
-Paciente?
-Sim porque dos animais eu nunca esqueço, mas dos donos... Às vezes o senhor sabe.
O gerente, achando que era uma pegadinha falou que era fã dos livros do homem. Esse percebeu que algo não ia bem e insistiu na história dos pacientes.
-Mas eu tenho uma clínica veterinária. Disse o homem.
O experiente gerente sorriu e disse uma mentira gentil.
-Mas eu não levo a Iolanda sempre lá.
O veterinário sem graça fingiu lembrar-se de Iolanda e o casal agradeceu e dizendo que iriam retribuir com Iolanda, fosse quem fosse e seguiram embora. Foi a primeira vez que a mulher se orgulhou do marido. Cortesia num restaurante sofisticado. Mal pisaram na rua e ela telefonou para a irmã.
Já o gerente furioso dirigiu-se a novata agressivamente pedindo explicações.
- Mas eu o vi.
-O veterinário?
-No programa do Edney Silvestre. Nisso ela vê ninguém menos do que Ney Matogrosso em outra mesa logo ali ao lado.
Ela aponta e diz: - Ney Matogrosso!
O gerente não se contendo a manda embora pra casa.
Já o cliente que fora confundido com o cantor pergunta ao gerente o que estava acontecendo. O gerente já tão atordoado resolve usar a sinceridade com o cliente.
-Me desculpe senhor, mas foi o primeiro e último dia dela aqui e entre muitas confusões ela confundiu o senhor... Imagine que louca, com o Ney Matogrosso. O cliente não riu. Aliás, ele e seu acompanhante fecharam à cara.
O gerente se afastou. Ficou com uma ponta de dúvida. Não é que aquele homem normal era parecido com Ney Matogrosso. Mas e os paetês? As plumas e as asas de borboleta? Imagine claro que não era. Pelo sim pelo não o cliente foi embora depois de ter pagado com cartão de crédito. O nome no cartão? Era outro, mas também foi o acompanhante quem pagou.
Duas semanas depois o veterinário volta ao restaurante. Dessa vez com os cabelos despenteados, a barba mal feita e acompanhado não mais pela esposa e sim por uma garota de vinte anos. Pediu logo uma garrafa de uísque. Ele e a menina riam num tom alto e se beijavam. O veterinário, hora ficava em pé, hora abraçava a moça e gesticulava as mãos e falava e falava. O gerente se aproximou e perguntou da clínica.
-Que clínica meu querido? Que clínica? Tome uma conosco.
-Mas o senhor não é veterinário.
Dessa vez a garota acompanhante respondeu:
- Ele é o famoso Marshall Smello, o autor de “Maria Califórnia”.
- E o veterinário? Perguntou o já assombrado gerente. E a menina:
- Aquele é o outro. Marshall escreve seus romances psicografando.
Foi então que o belo gerente entendeu menos ainda. Porém aprendeu que às vezes subestimamos um estagiário. Devia desculpas aquela menina, ex-garçonete.
No dia seguinte pregou a foto do veterinário na parede junto das outras celebridades. E junto do chefe criaram a sobremesa: Panquecas de frutas com recheio de Marshall Smello.
Eis que em uma mesa ela vê a sua primeira oportunidade rumo a uma carreira de sucesso. Ela identifica um cliente famoso. Um escritor. Ela corre até o gerente, um tanto quanto emocionada por logo no seu primeiro momento profissional da vida ter uma atitude tão competente.
O gerente olha para o casal famoso, mas só vê um homem triste e uma mulher contida ambos bem clássicos e caretas. Diria até uns nerds.
-Tem certeza? Pergunta o gerente.
-Absoluta. Seu nome é Marshall Smello. Escreveu “Maria Califórnia”. Aquele romance cult dos anos oitenta. Você sabe qual né? Aquele que influenciou o Kurt Cobain.
-Claro. Respondeu o gerente disfarçando a sua falta de cultura tanto pop quanto literária.
O gerente mandou o jantar de cortesia, ofereceu uma garrafa de vinho e a equipe foi até lá tirar fotografias com a celebridade.
O casal desde o início não compreendeu muita coisa. O cliente estava meio desconfiado, era um tanto pessimista. A esposa já tontinha com o vinho lhe disse para se acalmar. Finalmente o seu trabalho era reconhecido. Até que o homem não se conteve e perguntou ao gerente:
-Afinal o senhor me desculpe...
-Pois não. Disse o gerente já feliz em ter a posse da foto.
-Eu tenho uma memória fraca. Quem aqui é meu paciente?
-Paciente?
-Sim porque dos animais eu nunca esqueço, mas dos donos... Às vezes o senhor sabe.
O gerente, achando que era uma pegadinha falou que era fã dos livros do homem. Esse percebeu que algo não ia bem e insistiu na história dos pacientes.
-Mas eu tenho uma clínica veterinária. Disse o homem.
O experiente gerente sorriu e disse uma mentira gentil.
-Mas eu não levo a Iolanda sempre lá.
O veterinário sem graça fingiu lembrar-se de Iolanda e o casal agradeceu e dizendo que iriam retribuir com Iolanda, fosse quem fosse e seguiram embora. Foi a primeira vez que a mulher se orgulhou do marido. Cortesia num restaurante sofisticado. Mal pisaram na rua e ela telefonou para a irmã.
Já o gerente furioso dirigiu-se a novata agressivamente pedindo explicações.
- Mas eu o vi.
-O veterinário?
-No programa do Edney Silvestre. Nisso ela vê ninguém menos do que Ney Matogrosso em outra mesa logo ali ao lado.
Ela aponta e diz: - Ney Matogrosso!
O gerente não se contendo a manda embora pra casa.
Já o cliente que fora confundido com o cantor pergunta ao gerente o que estava acontecendo. O gerente já tão atordoado resolve usar a sinceridade com o cliente.
-Me desculpe senhor, mas foi o primeiro e último dia dela aqui e entre muitas confusões ela confundiu o senhor... Imagine que louca, com o Ney Matogrosso. O cliente não riu. Aliás, ele e seu acompanhante fecharam à cara.
O gerente se afastou. Ficou com uma ponta de dúvida. Não é que aquele homem normal era parecido com Ney Matogrosso. Mas e os paetês? As plumas e as asas de borboleta? Imagine claro que não era. Pelo sim pelo não o cliente foi embora depois de ter pagado com cartão de crédito. O nome no cartão? Era outro, mas também foi o acompanhante quem pagou.
Duas semanas depois o veterinário volta ao restaurante. Dessa vez com os cabelos despenteados, a barba mal feita e acompanhado não mais pela esposa e sim por uma garota de vinte anos. Pediu logo uma garrafa de uísque. Ele e a menina riam num tom alto e se beijavam. O veterinário, hora ficava em pé, hora abraçava a moça e gesticulava as mãos e falava e falava. O gerente se aproximou e perguntou da clínica.
-Que clínica meu querido? Que clínica? Tome uma conosco.
-Mas o senhor não é veterinário.
Dessa vez a garota acompanhante respondeu:
- Ele é o famoso Marshall Smello, o autor de “Maria Califórnia”.
- E o veterinário? Perguntou o já assombrado gerente. E a menina:
- Aquele é o outro. Marshall escreve seus romances psicografando.
Foi então que o belo gerente entendeu menos ainda. Porém aprendeu que às vezes subestimamos um estagiário. Devia desculpas aquela menina, ex-garçonete.
No dia seguinte pregou a foto do veterinário na parede junto das outras celebridades. E junto do chefe criaram a sobremesa: Panquecas de frutas com recheio de Marshall Smello.
sábado, 14 de agosto de 2010
Amigos, pero no mucho
-Luz na platéia! Para o ensaio!
Pediu o diretor. –Me desculpe, mas essa moça é muito gordinha pra fazer a Branca de Neve.
Eu como assistente e amigo da atriz argumentei que ela iria emagrecer até a estréia.
-Ok. Manda continuar. E eu:
-Continuem! Pouco depois o nosso experiente diretor manda parar novamente.
-Mas Leo, a menina é uma anã.
E novamente eu lutei pela colega e disse que os atores que fariam os anões ficariam de joelhos na montagem.
-Fiquem de joelhos. E um dos atores:
-Já estamos de joelhos. E o diretor:
-Mas eles já estão de joelhos e ela continua mais baixa que eles.
Veio-me a solução, sapatos de saltos altíssimos.
-Ok manda continuar.
-Continuem! Gritei também da platéia naquele enorme teatro à tarde.
Passados alguns minutos em que o nosso experiente diretor hora olhava para o palco, hora olhava para mim, olhava o palco, olhava para mim e falava baixo consigo mesmo. Até que ele se virou:
-Mas Leo... A moça vai fazer a Branca de Neve?
-Sim. Eu disse.
-Branca como a Neve?
-Isso.
Foi aí que mesmo eu me dei conta. Antes mesmo de o derretido diretor manifestar a sua descoberta, o produtor avança pelo teatro e grita:
-Mas a moça é negra!
A premiada figurinista, e cenógrafa, que também assistia ao ensaio e era japonesa tomou as dores e disse que a Branca de Neve não era do Disney, ou só dele era antes de tudo dos irmãos Grimm. E podia ter a forma que eles quisessem.
Às vezes eu acho que até Napoleão Bonaparte seria recusado para fazer ele mesmo no teatro. O argumento: Baixinho.
Imagino alguém dizendo a Roberto Gomes Bolanos que o texto dele é bom, mas que irão chamar um garoto de oito anos para fazer o Chaves. Ou ainda alguém falar para o Buster Keaton que ele era bonito demais pra ser um clown.
Foi numa noite de sábado, eu e ela estávamos indecisos sobre o que fazer. Ela pediu uma comédia. Dava tempo, uns vinte minutos para irmos ver: “Amigas, Pero no Mucho”. Uma comédia que havia anos estava em cartaz e eu por conta de preconceito ainda não tinha assistido. Pensava que uma comédia sobre quatro amigas, feito por quatro atores homens seria uma bobagem sem igual. Ledo engano.
Casa lotada. Chegamos em cima da hora eu e ela. Pegamos um lugar no galinheiro, lá onde à turma chama de balcão, a famosa segunda classe do teatro.
Ela estava linda de vestido solto e para minha surpresa também amou a peça.
No dia seguinte eu estava só na platéia e dessa vez ela é quem estava no palco, interpretando ela mesma. Uma das maiores cantoras do Brasil. E era preciso muito talento para interpretar ela mesmo.
Alias no palco é preciso muito talento. Existem pessoas tão excepcionais que nos fazem crer, que mesmo quando são negras ou latinas, de que elas são sim Brancas de Neves. Pra quem conhece o Dzi Croquettes então.
Pessoas que mesmo altas são anãs e mesmo anãs são gigantes. Afinal esse é o jogo, esse é o palco. Por exemplo. Esquecemos que aquela cantora, não é uma Deusa sobrenatural, feiticeira, fada, bruxa, princesa e rainha. É uma menina, meiga, às vezes tímida e às vezes uma amiga. Pero no mucho. Lamentavelmente.
“Se um diretor e uma atriz resolverem de que em determinada cena a atriz deva ficar nua, a platéia vai achar que ela nunca esteve tão bem vestida”. Ziembinski.
Pediu o diretor. –Me desculpe, mas essa moça é muito gordinha pra fazer a Branca de Neve.
Eu como assistente e amigo da atriz argumentei que ela iria emagrecer até a estréia.
-Ok. Manda continuar. E eu:
-Continuem! Pouco depois o nosso experiente diretor manda parar novamente.
-Mas Leo, a menina é uma anã.
E novamente eu lutei pela colega e disse que os atores que fariam os anões ficariam de joelhos na montagem.
-Fiquem de joelhos. E um dos atores:
-Já estamos de joelhos. E o diretor:
-Mas eles já estão de joelhos e ela continua mais baixa que eles.
Veio-me a solução, sapatos de saltos altíssimos.
-Ok manda continuar.
-Continuem! Gritei também da platéia naquele enorme teatro à tarde.
Passados alguns minutos em que o nosso experiente diretor hora olhava para o palco, hora olhava para mim, olhava o palco, olhava para mim e falava baixo consigo mesmo. Até que ele se virou:
-Mas Leo... A moça vai fazer a Branca de Neve?
-Sim. Eu disse.
-Branca como a Neve?
-Isso.
Foi aí que mesmo eu me dei conta. Antes mesmo de o derretido diretor manifestar a sua descoberta, o produtor avança pelo teatro e grita:
-Mas a moça é negra!
A premiada figurinista, e cenógrafa, que também assistia ao ensaio e era japonesa tomou as dores e disse que a Branca de Neve não era do Disney, ou só dele era antes de tudo dos irmãos Grimm. E podia ter a forma que eles quisessem.
Às vezes eu acho que até Napoleão Bonaparte seria recusado para fazer ele mesmo no teatro. O argumento: Baixinho.
Imagino alguém dizendo a Roberto Gomes Bolanos que o texto dele é bom, mas que irão chamar um garoto de oito anos para fazer o Chaves. Ou ainda alguém falar para o Buster Keaton que ele era bonito demais pra ser um clown.
Foi numa noite de sábado, eu e ela estávamos indecisos sobre o que fazer. Ela pediu uma comédia. Dava tempo, uns vinte minutos para irmos ver: “Amigas, Pero no Mucho”. Uma comédia que havia anos estava em cartaz e eu por conta de preconceito ainda não tinha assistido. Pensava que uma comédia sobre quatro amigas, feito por quatro atores homens seria uma bobagem sem igual. Ledo engano.
Casa lotada. Chegamos em cima da hora eu e ela. Pegamos um lugar no galinheiro, lá onde à turma chama de balcão, a famosa segunda classe do teatro.
Ela estava linda de vestido solto e para minha surpresa também amou a peça.
No dia seguinte eu estava só na platéia e dessa vez ela é quem estava no palco, interpretando ela mesma. Uma das maiores cantoras do Brasil. E era preciso muito talento para interpretar ela mesmo.
Alias no palco é preciso muito talento. Existem pessoas tão excepcionais que nos fazem crer, que mesmo quando são negras ou latinas, de que elas são sim Brancas de Neves. Pra quem conhece o Dzi Croquettes então.
Pessoas que mesmo altas são anãs e mesmo anãs são gigantes. Afinal esse é o jogo, esse é o palco. Por exemplo. Esquecemos que aquela cantora, não é uma Deusa sobrenatural, feiticeira, fada, bruxa, princesa e rainha. É uma menina, meiga, às vezes tímida e às vezes uma amiga. Pero no mucho. Lamentavelmente.
“Se um diretor e uma atriz resolverem de que em determinada cena a atriz deva ficar nua, a platéia vai achar que ela nunca esteve tão bem vestida”. Ziembinski.
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