segunda-feira, 13 de agosto de 2012

4 tipos de homens solteiros aos 35 anos.


Os quatro amigos se conheceram na adolescência. No colégio. Aqui vou contar vinte anos da vida deles. Dos 20 aos 40. E praticamente os 4 foram solteiros durante estes 20 anos. Praticamente. (Este QUARTO post fala deles aos 35. O poste anterior era deles aos 30, antes eles aos 25 e o post de antes ainda, deles aos 20. O próximo será aos 40). Boa leitura.



ÁLVARO,



 Álvaro aos 35 está de volta ao Brasil. Não consegue outro trabalho se não reformas. A sua recusa em ir para o mercado imobiliário, projetos comerciais, faz com que ele se junte a uma sócia numa livraria de livros de arte importados.
 Livros de arquitetura, artes, gastronomia, viagens... A loja fica no mesmo bairro que agora vive Marcela, sua antiga paixão. Eles sempre se cruzam na rua. Um dia almoçam juntos. Mas Marcela está namorando. Namoro sério.
 Um dia recebe uma ligação de Ana, amiga da falecida Maria de Lurdes. Ela diz que está vindo conhecer São Paulo. Ana acaba se hospedando na casa de Álvaro. Ela consegue um trabalho de correspondente internacional de um jornal Espanhol.
 Ana passa a arrumar a casa de Álvaro. Cozinhar e colocar tudo no lugar. Ela compra plantas um gatinho e organiza as gavetas, compra uma estante e organiza os livros, muda a luz da casa.
 Dudu e Rodriguinho numa visita de quarta feira para ver o futebol notam a diferença que a Espanhola fazia. Ou tinha feito. Queriam saber o por que depois de quatro meses de covivencia ela Ana continuava só uma hóspede de Álvaro.
 Ele disse aos amigos que ela era amiga de Lurdes e que não era certo serem algo mais do que amigos.
 Ana propõe uma viagem ao Nordeste. Vão para a Praia da Pipa. Lá depois muito vinho, ele acabam abraçados na cama.
 Ao voltarem para São Paulo, Ana muda-se para o quarto de Álvaro. Ele recebe a notícia de que Marcela iria se casar. Ela mesmo dias depois vai até sua livraria levar o convite.
 Ele não aguenta o impacto da notícia. Acordava todas as noites pensando em Marcela. Mal notava Ana ao seu lado. Ficou em depressão, bebia muito. Ana não aguentou, conheceu um músico na Vila Madalena e caiu fora.
 Álvaro, novamente estava solteiro e sua loja ia muito mal. As pessoas passaram a viajar muito e compravam os livros fora do Brasil.
 Foi então que recebeu a proposta de projetar uma livraria. Um projeto ambicioso, que mudaria o conceito das livrarias em São Paulo. Era um editor amigo, que queria se tornar além de editor, um livreiro. Um grande herdeiro que não tinha limites para os gastos. Ele havia visto os projetos de Álvaro quando estudante em Barcelona, e queria alguém assim, que não se vendesse. Um artista de verdade.
 Era a chance da vida de Álvaro. Ele passou a se dedicar 24 horas por dia ao projeto, já que o livreiro tinha comprado a sua livraria de importados.
 Passou o dia casamento de Marcela na prancheta. Não foi na igreja nem na festa.





 RODRIGUINHO:



 Rodriguinho aos 35 estava ficando bem careca. Mas seu corpo ainda era ordem. Definido como um rapaz de 20 anos. Cansara-se de Paulo e conheceu Mauro na academia.
 Mauro foi só uma transa, não tinham nada em comum. Mas ficaram melhores amigos. Mauro conhecia todo o mundo Gay de São Paulo. E passou a levar Rodriguinho a todos os eventos.
 Rodriguinho se jogou de cabeça e cada noite era um cara diferente. Como ele perdera tanto tempo querendo ser outra coisa? É o que ele se perguntava.
 Então Mauro conhece Luiz. Um cara de 50 anos, médico, culto, um doce. Viajam juntos para a casa de praia de Mauro em Paraty. E foi lá logo no começo do namoro de Mauro que ele, Rodriguinho, se apaixonou por Luiz.
 Ele passou a sofrer horrores, porque convivia sempre com o casal, seu melhor amigo e o homem da sua vida.
 O que fazer? Foi quando Paulo se separa de vez de Márcia. E diz que vai assumi-lo. Ele se sente em dívida com Paulo e resolvem fazer uma grande festa de casamento.
 Finalmente o mundo sabia que ele era gay. Os amigos aceitaram melhor do que ele imaginava.
 Mas já no primeiro mês, na primeira briga, ele percebeu que não amava mais Paulo. Quando era escondido era uma delícia, mas agora? Até no clube eles ficavam juntos.
 Separou-se de Paulo. Mas estava feliz. Era um homem independente financeiramente e um cidadão igual a todos os outros.
 Estava otimista um mundo inteiro a sua espera. Deveria haver outros Luizes por aí.





 DUDU,



 Dudu nessas de skate e vídeo game conhece Vanessa. Uma menina que trabalha eventos.  A garota não tinha nada de especial a não ser quinze anos a menos do que ele.
 No começo não percebeu, mas a garota gastava muito. E como ela era jovem, cabia a Dudu proporcionar tudo. Isso fez com que ele gastasse muito do salário dele. As vezes gastava mais do que o salário.
 E então veio a noticia, o demitiram do escritório de advocacia. Claro que para todos ele dizia que havia saído por vontade própria. Até mesmo para a Vanessa ele contava essa história. Mas ser demitido é como perder um parente, deixa qualquer um arrasado.
 A menina não diminui os gastos. Manteve a rotina, como se nada houvesse acontecido. Dudu passou a pedir ajuda aos pais para pagar o colégio de Pedrinho.
 Vanessa desapareceu por vontade dela mesma. Dudu nem se importou, estava tão preocupado com o que iria fazer agora, que mal dava tempo de ir andar de Skate e paquerar garotinhas.
 Novamente ele tornou-se o homem clássico de antes. E de tanto falar que ira abrir um negócio próprio, ele mesmo passou a acreditar nisso.
 Mas abrir o que? Ele não tinha a natureza de um empreendedor. Uma franquia?
 De tanto mandar currículo, veio uma proposta de uma faculdade para ele dar aula. Aceitou claro.
 Ficou maravilhado com a faculdade de direito. Ele nunca ouvira falar na instituição. Era nova, nasceu deste boom econômico dos últimos anos do Brasil. Um dos donos era o seu antigo amigo Carlos.
 Dudu estava solteiro e com 35 anos. Ficou maravilhado com tantas alunas que admiravam tanto o seu professor. Saiu com meia dúzia delas. O que só aumentou o seu carisma e confiança. No final de um ano ele era o novo diretor da jovem faculdade.




CARLOS,



 Apesar de ter sido sempre um empreendedor da iniciativa privada, Carlos aos 35 anos tinha vários negócios com o estado.
 Seus principais clientes eram políticos, muitos deles representantes de eleitores evangélicos.
 Mas Carlos começou a se meter em tudo, não só em propaganda política, mas também livros escolares, universidades, fundações lobby propriamente dito.
 Vendeu todas as suas participações em pequenos comércios como balas, restaurantes e postos de gasolina. Agora investia tudo em imóveis, escolas, universidades e negócios variados com o governo.
 Mas uma investigação da policia federal chegou até ele. Seu império desabou. Seu nome caiu na imprensa e seus clientes do governo se afastaram dele.
 A sociedade naquele tempo pedia fim da imposição. Os políticos se safaram mas para isso colocaram a culpa no corruptor Carlos.
 Gastou uma fortuna com advogados, mas não fim não adiantou, foi condenado a cinco anos de prisão.
 A devassa da polícia constatou que seus bens valiam menos do ele devia de imposto de renda.
 Então aos 35 anos Carlos estava novamente pobre e condenado a prisão.
 Seria agora muito difícil se levantar. E para piorar Carlos não estava com ninguém, suas namoradas interesseiras desapareceram.
 Os amigos também. A faculdade que fora vendida continuou empregando Dudu.
 Aquilo o deixou feliz. Por mais que seus amigos estivessem distante, ele Carlos nunca deixou de gostar deles.
 Carlos era um homem com ambição. Aquela temporada da prisão só iria dar um novo curso a sua vida, mas não tiraria a sua vontade fazer e de crescer.



sábado, 11 de agosto de 2012

Meu pai e o barulho do vento.


 Não entendo o porquê desta atual insistência de alguns, em querer que as mulheres realizem o parto em casa.
 Eu não tenho nenhum trauma em ter nascido num hospital. Se eu pudesse voltar atrás e ter escolhido, ou ainda a possibilidade de escolher, optaria por nascer num lugar como a praia de Ipanema.
 Ou ainda na Avenida Paulista, num palco de teatro, em qualquer lugar público. Mas nascer em casa? Pra que? Pra mim o nascimento é uma festa, um mundo que se abre, e tem de ser já logo em casa?
 Afinal nascemos jovens, e jovens querem ir pra rua. Não é?
 Mas a crônica era sobre o meu pai.
 O telefone toca:
 “Leo amanhã você pode vir tomar café da manhã aqui em casa. Seu irmão chega de Nova York, venha umas sete, sete e meia.”
 “Mas pai eu estou num show de música, sete e meia é muito cedo, não pode ser mais tarde?”
 “Não, não pode. Você tem que aprender a acordar cedo!”
 “Será que existe algum curso para mim? Acho que estou velho para o exército.”
 “Velho? Você é um adolescente! Sete e quarenta e cinco então.”
 Quando eu nasci meu pai foi para a Argentina no mesmo dia. Ele diz que até hoje não entende porque e como ele pode ter ido para Argentina no dia em que eu nasci.
 Por mim... Nem me lembro, sem traumas. Meu pai vem junto com a minha mãe. Sempre os vejo juntos, quando eu os conheci eles já eram casados, de maneira que sempre foram os pais.
 E há quem insista que os pais devam ser um homem e uma mulher. Milk já dizia que seus pais eram héteros.
 A única coisa que eu e meu pai temos em comum é o sobrenome Chacra. Tanto ele quanto minha mãe, são de personalidades muito distintas da minha. Aliás, todas as pessoas que eu conheço têm personalidades diferentes da minha. Eu acho.
 Pra mim meu pai tem muito de Kubrick, sabe aquele 2001, o filme?
 Eu tenho inveja dele por ele ter vivido os anos 60. Verdade é que ele foi só plateia nos anos 60. Suas grandes realizações, que não foram poucas vieram depois.
 E no fundo eu acho que meu pai hoje é mais interessante do que o Caetano Veloso e do que o Chico Buarque, eles tem a mesma idade. Nos anos 60 meu pai era plateia.
 Mas não é que ele lembra de tudo daquele tempo. Mas também ele lembra de tudo sempre.
 O show era uma banda de garotos chamada 66. Faziam um som de música pop clássica, rock e MPB clássica com um toque atual. O vocalista era um menino e no meio do show ele convidou:
 “Agora vou chamar ao palco o cara que me pôs no mundo”.
 E eis que um cinquentão com cara de anos 80 sobe no palco e toca junto com a banda. O pai do vocalista. Jeitão anos 80 e o filho jeitão anos 60.
 Meu pai conta que até os quatro anos eu nem olhava pra ele. Um dia no carro eu vim por trás e dei um abraço no pescoço dele. Eu tinha quatro anos. Se eu lembro?
 Eu lembro de um ser enorme e com barba que me dava medo. Eu quero que o Freud se dane. Eu nunca tive problema nenhum com meu pai, nem com minha mãe.
 A verdade mesmo é que meu pai não era plateia nos anos 60. Ele estava fazendo o que o meu irmão chama de ponto de virada, e meu pai chama de sair da inércia.
 Ele era o primeiro Chacra da nossa linhagem a quebrar o barulho do vento. Explico.
 Durante as três viagens em que fiz para a vila de onde os Chacra vieram do Líbano, eu notei que se ouve o barulho do vento. Também é uma vila minúscula nas montanhas. Nossos ancestrais passaram milênios ouvindo o barulho do vento. E só. Como a cena dos macacos em 2001 que jogam um pau de madeira que no ar se transforma em uma nave espacial. 
  Meu pai passou os anos 40, 50, 60, 70, 80, 90... Sem nunca ter notado o barulho do vento.
 “Já falei Leo, fecha a janela e liga o ar condicionado. O que? Barulho do vento? Eu tenho que chegar logo, tenho muito trabalho pra fazer.”
 “Mas pai hoje é domingo.”
 “Então Leo! Que horas que eu vou conseguir terminar isto na semana. Eu não tenho tempo durante a semana!”
 Assim como meu pai nunca subiu pra tocar comigo num show, acho deveras improvável eu também subir num palco um dia, pra tocar com o meu filho.
 “Leo, cabeça precisa exercitar. É que nem músculo que precisa de exercício.”
 “Afinal o que você foi fazer na Argentina no dia em que eu nasci?”
 “Eu não lembro o que era exatamente. Só lembro que era trabalho. Me deu uma saudade de você.”




4 tipos de homens solteiros aos 30.


Continuação do post anterior.
 Os quatro amigos se conheceram na adolescência. No colégio. Aqui vou contar 20 anos da vida deles. Dos 20 aos 40. Os 4 praticamente foram solteiros durante estas 2 décadas. Praticamente. (Este TERCEIRO post fala deles aos 30. O post anterior foi sobre eles aos 25. Antes ainda deles aos 20. O próximo será aos 35 e finalmente aos 40). Boa leitura.


 ÁLVARO:


 Aos trinta anos, Álvaro conhece uma espanhola. Ela está na pós com ele de arquitetura em Barcelona. Maria de Lurdes era a garota mais bela da universidade. E a mais descolada. Ela sabia tudo de música Brasileira, cinema Frances e cinema independente norte americano.
 Já estavam juntos há alguns meses. Ela o levou para assistir companhias europeias no teatro, dança e grandes exposições. Lurdes conhecia todas as galerias. Naqueles anos Barcelona era a cidade mais descolada da Europa. O que Paris fora até os 50 e depois Londres nos anos 60, 70 e 80, agora perdia espaço nos anos 90 para Barcelona e talvez Berlim.
 Álvaro foi muito feliz nestes meses com Maria de Lurdes. Frequentavam a boemia, shows, bebiam e faziam amor ouvindo ótima música e lendo poemas. Ela dizia que o Brasileiro era talentoso e um dia ganharia um pritzker (Nobel da arquitetura).
 Nesta época ele fez até um cenário para uma companhia de dança. Ela o incentivou a fazer uma exposição das suas fotos numa galeria de Barcelona.  
 Álvaro acreditava que seu lugar era ali, na Espanha. Nunca mais voltaria ao Brasil. Um fim de semana, no qual Maria Lurdes visitaria uma amiga há alguns quilômetros de carro, Álvaro estranhou que ela não retornara.
 Como o celular de Maria de Lurdes não atendia, ele ligou para Ana. A amiga de Maria de Lurdes. Foi o pior diálogo da vida dele. Naquela mesma noite foi o velório.
 Ana ajudou Álvaro com a mudança. Ela lhe enviaria suas caixas depois. E em uma semana, Álvaro entrava num taxi em Guarulhos.



  RODRIGUINHO:


Paulo não era seu aluno. Mas calhou de a personal treiner de Paulo ir competir fora do Brasil e ter lhe indicado Rodriguinho.
 Por algum motivo ele não via a hora de chegar os dias em que dava aula para Paulo. Então certa vez combinaram um almoço. Márcia a mulher de Paulo foi com os filhos para o sítio durante as férias. Paulo ficou sozinho então os dois amigos, professor e aluno, passaram a se frequentar bastante.
 Foi Paulo quem fez o convite, depois de um jantar. “Quer subir e ver um filme?” Então ali no sofá os corpos se aproximaram e Rodriguinho acabou passando a melhor noite da sua vida.
 Finalmente Rodriguinho saiu de casa, foi para um apartamento. O aluguel era dividido entre ele e Paulo. Mas ninguém sabia disso. Paulo e Márcia continuaram casados. Rodriunho tornou-se um amante. E continuou com sua vida. Nenhum amigo soube.
 Um dia levou Paulo conhecer sua mãe. Depois revelou o segredo pera ela. A mãe de Rodriguinho o abraçou. E disse que ele deveria assumir e pedir a Paulo que largasse a mulher.
 Talvez a coisa escondida estimulasse tanto Rodriguinho quanto Paulo, pois eles mantiveram a relação secreta por anos.
 Mas para todas as mulheres da academia do clube, Rodriguinho era um sarado solteiro, que não dava mole para nenhuma. E adorava conversar com as amigas da Márcia.




 DUDU:


  Pedrinho foi crescendo. E Dudu trabalhando. Um dia o escritório dele se fundiu com um escritório gigante. O endereço mudou. Saíram do centro e foram para a Avenida Paulista.
 Lá ele conheceu Marta. Uma advogada divorciada de cinquenta anos e um filho e uma filha na faculdade. Juntaram-se numa grande família. Foi tudo muito divertido. Pedrinho adorou ter uma mãe. Uma não duas. Pois sua irmã torta Raquel o tratava como filho. Fazia tudo por ele. Lhe comprava presentes, levava passear, as amigas dela também. O irmão torto, Rafael jogava futebol com ele. Viam os jogos juntos.
 Dudu estava feliz porque Pedrinho estava feliz. Mas um ano depois. Ao acordar e olhar para Marta, pensou: “Eu ainda sou tão jovem”. Fez as malas.
 Pegou Pedrinho, levou-o para casa da avó. E começou a sair em todas as baladas. É como se tentasse recuperar um tempo perdido.
 Queria meninas novinhas, gemidos novinhos. Chegou a ligar para Raquel, filha da Marta. Saiu com a Raquel e com a Joana amiga da Raquel.
 Voltou a frequentar os inferninhos. Os cabarets, os puteiros. E aprendeu tudo de sites de acompanhantes. Pegava até as babás do Pedrinho.
 A promiscuidade estava de volta. Era novamente o eterno sair e voltar para a vida adulta. Dudu no caso estava querendo voltar a ser um garotão. Comprou um skate e foi para o parque do Ibirapuera.



  CARLOS:


 Mudara seus negócios para o Rio. Vivendo agora em Ipanema. Já tinha dinheiro suficiente para se aposentar, mas ao contrário trabalhava cada vez mais. Sócios em vários negócios. Publicidade, campanhas políticas, produtoras de vídeo, rádios e igrejas evangélicas. Sim igrejas.
 Carlos começou a apoiar e trabalhar para os barões evangélicos e em pouco tempo tornou-se ele mesmo um magnata evangélico.
 Resolveu se casar com uma garota de família tradicionalíssima da zona sul. Seria o maior casamento evangélico da história. Pois seria um casamento evangélico para o dinheiro antigo. Para a classe alta tradicional da ponte aérea Rio- São Paulo. Filha de um senador.
 Viriam todos os políticos importantes de Brasília e o empresariado de São Paulo. Mas duas semanas antes, Carlos ao ver uma secretária muito sensual e suburbana, não aguentou e a levou jantar e saiu com ela na night carioca.
 Os fotógrafos paparazzis aproveitaram e clicaram tudo. Um verdadeiro estrago no dia seguinte.
 Carlos mandou todos passearem. Afinal o que ele ganhava com aquele casamento? Uma patricinha gastadeira, que nunca trabalhou e chata pra caramba? Nem gostava dela, e ela estava engordando. E ele queria ser o único gordo do casal.
 Rico, muito rico e poderoso, cheio de mulher no mundo, casar pra que? Resolveu que esperaria pelo menos mais uma década.
 Já sua noiva esperou só dez meses. E casou-se com um rapaz de uma também tradicional família da zona sul.  

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

4 homens solteiros aos 25 anos.

 Continuação do post anterior.
 Os quatro amigos se conheceram na adolescência. No colégio. Aqui vou contar vinte anos da vida deles. Dos 20 aos 40. E praticamente os 4 foram solteiros durante estes 20 anos. Praticamente. (Este SEGUNDO post fala deles aos 25. O post anterior foi sobre eles aos 20. O próximo será aos 30, depois aos 35 e finalmente aos 40). Boa leitura.



 ÁLVARO:


  Álvaro aos 25 já se formou na faculdade. Recusa-se a trabalhar para o mercado imobiliário. Depois de muito penar acaba entrando para um escritório de arquitetura voltado a projetos culturais: Museus, galerias, escolas e fundações. Trabalha muito, mas ganha muito, muito pouco.
 Ele quer se mudar para o centro da cidade e dividir um apartamento com seu amigo Dudu. Sair da casa dos pais. Passa a só frequentar bares e exposições e festivais de cinema culturetes.
 Um dia os amigos do colégio o levam para uma balada menos off. Lá ele encontra-se com Marcela. Conversa vem, conversa vai, e eles se beijam. No dia seguinte vão almoçar juntos. Depois Marcela não responde mais seus telefonemas. E com certeza nem lia mais seus eternos e-mails. Ela some.
 Semanas depois ele descobre por uma amiga em comum que Marcela está namorando. Ele não aguenta a notícia. Larga o escritório. Arruma as malas e sai atrás de uma pós em Barcelona.




 RODRIGUINHO:


 Rodriguinho aos 25 anos vive de mesada da mãe. Não consegue terminar nenhuma faculdade.
 A única coisa que ele leva a sério é o Jiu Jitsu. Treina todo dia. E está super em forma. Ele tem uma vontade enorme de bater. Adora bater nos caras no treino e está indo muito bem. Ele gosta de treinar e sair para as baladas.
 Mas nesta última ele bateu num garoto tão meigo. O garoto quis conversar com ele. Rodriguinho nem se lembra de como começou a briga. Mas quando o garoto colocou o braço ao redor das suas costas ele não teve dúvida. Esmurrou várias vezes o garoto.
 Agora ele sonha com a boca do garoto. Uns cabelos caracolados e lábios carnudos. “Por que eu bati tanto nele”? Coitado. “DE mim ou dele?”.
 Rodriguinho vive a falsa alegria dos jovens. Alguém no clube lhe perguntou o porquê dele não virar personal treiner. Com certeza teria ótimos alunos. Ou alunas também.
 Ele contou a ideia para sua mãe, que o aconselhou a fazer educação física. Rodriguinho nunca lia nada, mas um dia pegou um livro de Freud. Aquele livro mexeu muito com ele. “3 ensaios sexuais”.
 Ele tinha vontade de fazer análise. Mas terapia era coisa de...
 Chega de ler, vamos para o treino, que a competição está chegando.  




 DUDU:


 Dudu aos vinte cinco anos se tornou um adulto. Já é um homem, um advogado. Seus gestos, conversa em nada lembram um jovem atual. Ele era um ser clássico nesta época. Como um Argentino nos anos 50.
 Um dia, digo uma noite, entrou num Cabaret e viu uma linda dançarina. Ficou fascinado por aquele corpo.
 E para sua sorte aquele corpo o entendia. O admirava. Ele decidiu que tiraria a moça daquela vida. Não. Decididamente ele não estava apaixonado. Mas a levou passar um feriado no Rio.
 A moça engravidou. Sim era uma garota de programa. Mas e daí? Não estamos mais nos anos 50. Casaram-se. Digo juntaram-se, igreja também era demais. Foram para um pequeno apartamento. Um lar. Uma família.
Afastou-se dos amigos. Porque os amigos recusaram-se a apoiá-lo.
 Mas a relação durou pouco. A garota voltou para seu destino. O juiz com razão deu a guarda para Dudu.
 Então Dudu aos 25 era um pai solteiro. Um pai de um lindo menino. E vamos à luta.
 Os avós ajudaram a pagar uma babá, às vezes a creche também era necessária.
 Nessa época Dudu começou a fazer muito sucesso entre as mulheres. Um advogado jovem e pai solteiro???? Abandonado. Que mulher resiste? Nenhuma.




 CARLOS:


 Carlos aos 25 anos faz uma campanha histórica. Com este sucesso, funda a sua própria agencia de publicidade, a Bollívia. Compra um Loft e um carro do preço de um loft. Vive entre a ponte aérea porque tem clientes no Rio.
 Torna-se sócio de um restaurante e de uma balada no Rio. Aluga um apartamento na Barra.
  Contrata uma grande assessoria de imprensa, e saí em todas as revistas e jornais. Engorda dez quilos. O que o deixa muito deprimido. Quanto mais engorda, mais quer ganhar dinheiro.
 Começa um curso sobre vinhos. Compra uma enorme adega. Mulheres? Não faltam mulheres nesta época para Carlos. Não que ele as pagasse, mas um jantar aqui, um contato ali, um presentinho acolá... Se não podemos agradar as “amigas” pra que ser rico e poderoso?
 Ele estava no Aeroporto do Rio quando veio à notícia. “Você ganhou em Cannes!”
 Desligou o celular. Sorriu. Agora sua vida não era mais uma farsa.

   

       

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

4 tipos de homens solteiros.


Os quatro amigos se conheceram na adolescência. No colégio. Aqui vou contar vinte anos da vida deles. Dos 20 aos 40. E praticamente os 4 foram solteiros durante estes 20 anos. Praticamente. (Este primeiro post fala deles aos 20. O próximo será aos 25, depois aos 30, 35 e finalmente aos 40). Boa leitura.



 O primeiro é o ALVÁRO.


 Aos 20 anos Álvaro era lindo. Cursava faculdade de Arquitetura e sonhava em ser um grande arquiteto. Foi nessa época que conheceu Marcela. Uma morena sensual, extrovertida e cheia de vida. De vida e de homens. Não faltavam opções para Marcela.
 Saíram durante 3 meses. Nos quais Álvaro foi corno uma meia dúzia de vezes. As amigas de Marcela não se conformavam. Como ela podia desprezar aquele quase poeta, ingênuo e puro?
 Marcela ao contrário o achava pegajoso e triste. E se foi. Álvaro então passou a se dedicar só a faculdade.




 O segundo é o RODRIGUINHO.


 Rodriguinho aos 20 tinha um corpo perfeito. E como sabia disso descia todos os finais de semana para a praia. Surfava e passava os dias sem camisa. As vezes passava a semana toda na praia, fumando maconha e comendo todas as meninas. Meninas e as coroas também. Rodriguinho adorava as coroas. As vezes passava quase um mês na praia de Maresias.
 Durante um tempo namorou uma linda e fútil garota de 17 anos. Se cansou dela e assumiu de vez uma vida promíscua. Tomava um monte de chega pra lá, mas a quantidade de acertos ultrapassava em cinco vezes os foras.
 Foras? Em cinco minutos ele nem se lembrava mais. Chegou a levar dois fora da mesma garota e depois pegá-la no mesmo verão. E nem se lembrar dos foras e nem se lembrar da garota no verão seguinte.
 Uma mineirinha. Mas por algum motivo ele se lembrava do irmão dela. O Pedro. Rapaz simpático estava sempre com a irmã e rindo.
 Estudar? Repetia os anos em economia.



 O terceiro é o DUDU.


 Dudu aos vinte já andava de terno pra cima e pra baixo. Estudava direito de manhã e a tarde ele era estagiário num escritório de direito trabalhista.
 Tentava sempre pegar uma colega de trabalho, mas a menina era noiva. Dava conversa, mas não sedia.
 Dudu adorava encher a cara. Uísque de preferência. Por ele trabalhar e estudar o pai ainda lhe dava um bom dinheiro. Mesada. Achava o filho esforçado.  Com este dinheiro ele frequentava os inferninhos. Os cabarets e os puteiros. Naquele tempo a prostituição ainda não havia chegado à internet.
 Dudu era um inseguro. Não era feio, porque também aos vinte anos quase todos são bonitos. Mas o seu tipo de conversa era muito maduro e sofisticado para garotas de 20 anos. E sua conta bancária ainda não lhe permitia extravagâncias com mulheres também sofisticadas.
 Na verdade permitia, mas era tão inseguro. E com as prostitutas tudo era uma festa. Dudu foi muito feliz aos 20 anos.  




 E o quarto era o CARLOS.


  Carlos aos 20 anos era ambicioso. Enquanto Álvaro tinha ambições artísticas, Carlos queria ser um empreendedor. Sonhava com um império. Nem terminou o colégio e entrou numa agencia de publicidade. Era redator.
 Carlos era um garoto de comunicação. Algo intrínseco. Ele era gordo. Mas era um gordo carismático. Sua rede de relacionamentos aumentava todos os dias. E dos quatro era ele quem conhecia mais meninas.
 Era convidado para todos os lugares e eventos. Ninguém se lembra de vê-lo beijando ninguém, mas sempre havia meninas lindas a sua volta. E elas estavam sempre sorrindo.
 Carlos começou a despontar na agencia por conta de uma campanha, e logo seu salário era muito bom para alguém da sua idade.
 Carlos começou a viajar pelo mundo. Fazer contatos. E por incrível que pareça Carlos era reconhecido nos lugares como um formador de opinião da nova geração.
 Um dia num grande evento com inúmeros jornalistas Carlos foi visto com uma atriz da Globo lindíssima. Depois num restaurante com uma modelo fantástica. Elas diziam que eram só amigas.
 Mas a fama estava feita. Quando os amigos perguntavam das beldades, ele só pedia descrição. Fingia que realmente era rodeado delas.
 Carlos aos 20 anos era realizado. Mas não era feliz. Sabia que seu mundo era uma farsa.

       

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Sig Bergamin e a Vila Nova Cachoeirinha.

De inicio já digo, o objetivo desta crônica, não é o de comparar extremos. Mas mostrar que no meu mundo (universo), há muito em comum entre o famoso decorador e o bairro Paulistano da zona norte.
 Num sábado chuvoso e frio e folheava uma revista de decoração e arquitetura. Foi quando depois de ignorar vários ambientes eu dei de cara com um que me emocionou. Me remeteu há um filme, digo comecei a imaginar um filme, imaginar literatura, enxergar personagens. Eu não sabia ainda quem era o autor do ambiente. Da atmosfera.
 A minha surpresa veio junto com uma alegria. Era dele. Sig Bergamin. Ao mesmo tempo paz, campo, festa, cosmopolita, manhã, noite, teatro, cinema, literatura e música. Vida.
 Fechei a revista. Pois precisava levar um documento na Vila Nova Cachoeirinha. Quando eu atravesso o Rio Tietê parece que entro em outra cidade. Mas o que é afinal São Paulo, se não outra cidade sempre.
 Conheço a cidade do México, Cairo, Paris, Roma, NY, L.A., Londres, Tóquio, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Seul... Enfim grandes metrópoles. Roma? Não é grande mas é milenar. Em todas eu me surpreendi. São lindas. Todas tem seus mistérios. Mas todas são sempre elas mesmas.
 Paris é tão parisiense. Londres, tão londrina. Tóquio é tão Tóquio. O Rio é o Rio. A cidade do México é tão Ibérica. Tão Asteca, Maia, Californiana até. Mas de repente em São Paulo atravessamos a ponte e não temos a menor ideia do que seja a Vila Nova Cachoeirinha. Nenhuma imagem vem à cabeça.
Como serão os moradores deste bairro? De início São Paulo dá medo. Assusta. Em poucos quarteirões podemos entrar na paisagem da Europa Oriental, passar por Minas Gerais, cair numa Praça Italiana, num Shopping Japonês.
 Eu não diria que São Paulo é um camaleão. São Paulo simplesmente não pode ser descrita.
 Vila Nova Cachoeirinha, não tinha nada do que eu havia imaginado. Nem pior, nem melhor.
 Já ouvi muito que o Modernismo e depois o Pós Modernismo deixou o mundo globalizado, visualmente igual. Discordo.
 Houve um período no Império Romano em que o urbanismo da cidade e sua arquitetura não faziam jus a sua riqueza.
 Eu acho que São Paulo é um pouco isso. Meus ancestrais vieram pra cá. Numa época em que Londres tinha sete milhões de habitantes e aqui em São Paulo umas poucas centenas de milhares. Talvez uma centena de milhar, cem mil habitantes.
 Época que Vila Nova Cachoeirinha era habitada por Japoneses. Aí fui estacionar o carro. Vira aqui, vira ali e lá está ela.
 Uma ruela linda. Sem nenhum ser humano. Suspiro e tenho a mesma emoção de ver o ambiente na revista do Sig Bergamin.
 Uma revista inteira com uma só foto, fato, assunto que me pegou. Uma cidade imensa, uma zona norte toda, pra uma só ruela. Sem a placa com o nome. Deixei o documento e segui para o famoso Frangó.
 Afinal era Sábado e na minha cabeça é tudo perto, um do lado do outro na Zona Norte. Sim era uma distância de uns 16 quilômetros segundo o Google.
 Acho que nunca mais verei aquela Ruela. E mesmo se voltar a vê-la daqui há anos, ela não será a mesma. Nem ela, nem o cine Belas Artes, e nem a Casa Cor.
 Eu tinha um primo decorador. Chamava-se Alex Cerello. Uma vez me contou que dormira no chão de seu quarto. Não desarrumou a cama. Disse que o ambiente estava tão arrumado, que ele não quis estragar.
 Acho realmente que o Alex era um artista. Morreu atropelado. Morreu em alguma das infinitas ruelas deste mundo chamado São Paulo. 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Dois tipinhos raros de mulheres.


Tempos atrás escrevi sobre alguns tipos de mulheres digamos mais evidentes.  Tipos que conhecemos aos montes. Nesta continuação vou falar de algumas espécies, não diria propriamente raras, em extinção, mas tipos de mulheres que dependem de combinações de fatores para existirem. Assim parece tudo muito complexo, complicado, é e não é. Então chega de falação e vamos aos tipos:

Primeiros dois:

A feia sortuda.


 Sim leitora você já deve ter ouvido falar. Aquela menina do colegial, um tanto quanto nerd, grossa, um tanto elitista, sem charme, sem sensualidade nenhuma, com pouca inteligência. Usava aparelho e falava cuspindo. Para ela ninguém era bacana, detestava os artistas, os pensadores. Se vestia mal. Sem assunto. Com a idade foi ficando mais feia e mais sem graça e um belo dia você descobre que ela se casou.
 Só o fato de ela ter se casado já é algo extraordinário. E eis que sua amiga diz que a feia chata não só casou, mas que o marido é um executivo bem sucedido que ganha milhares e milhares de reais por mês.
 Os filhos da feia babaca estudam em escola americana. Ela tem babás e empregadas. Carro alemão, motorista, casa na praia, fazenda... E viaja quatro ou mais vezes por ano para fora do Brasil. Viaja de classe executiva, às vezes de primeira e só fica em hotel com meia dúzia de estrelas.
 E o marido não é ruim não. É menos que um Tiago Lacerda, mas também não é baixinho, tem a idade dela, tem cabelos e não é gordo. Um cara que dá pra beijar sim senhora. Um cara que daria pra desfilar mesmo que não fosse este executivo chefe.
 E ela agora sai nas revistas e é convidada para eventos culturais que a empresa do marido patrocina e não são poucos não. Ela que não gostava de artistas agora continua não gostando e ainda os esnoba. Pois há uma fila deles puxando o saco dela, por causa do patrocínio.
 Ela passa os dias no clube falando o quanto é rica e feliz. E chega a cogitar apresentar conhecidos para mulheres feias como ela. Conhecidos, entenda-se aí, homens bonitos, bem sucedidos e jovens para babacas feias como ela. Porque ela acredita que ela não é exceção.
 Às vezes acontecem coisas assim. Sem explicação. Alguns homens embora tenham dinheiro e outros atrativos, escolhem casas, prédios sem arquitetura, enormes e sem harmonia para morarem.
 Às vezes querem a certeza de que nunca serão cornos. Mas o pior é que são. Porque a feia babaca de tanto ficar apresentando homem interessante para mulher feia babaca, acabou que mordeu alguns pelo caminho.
 Realente se a feia babaca, não tiver empregadas bonitinhas e nem tão pouco espelho em casa, ela será a mulher mais feliz da terra.


A ex Miss High School.

 Ela sempre foi linda. Não chegava a ser a melhor aluna da classe, mas era ótima em todas as matérias. Esportista, feliz, namorou os meninos mais bonitos, ricos e populares. Sempre existiu uma legião de admiradores e outras dezenas e dezenas de apaixonados.
 Como filha era exemplar. Quando faltava em uma festa familiar era uma choradeira. Todos a queriam por perto. Era e sempre foi o centro das atenções em todos os lugares. Na faculdade então... Os professores eram apaixonados.
 Ela acabou se tornando uma professora. Seus alunos a amam. Recebeu pedidos e mais pedidos de casamento. Homens bem sucedidos, rapazes maravilhosos, e caras maravilhosos e bem sucedidos ao mesmo tempo. Uns ela recusou, outros nem respondeu.
 Diziam que mais cedo ou mais tarde, ela acabaria se casando com um príncipe.
 Então ela conheceu um pintor. Ele era mais velho que ela. Vinte anos mais velho do que ela. Era um pintor desconhecido, ou ainda, pouco conhecido. Baixinho, bem mais baixo do que ela. E feio. Um homem sério, que ria pouco. Contrastava com ela em todos os sentidos e adjetivos. Ela tem um sorriso lindo.
 Casaram-se. Tiveram três filhos. Vivem numa pequena casa num bairro longe. Mais longe do que você imaginou leitor. Ela continua linda e dando aulas. Ela é quem sustenta a casa.
 Ele, o pintor, só tem tempo para pintar. Tentou dar aulas, mas atrapalhava a sua disciplina no atelier.
 Como eu disse acima, há coisas que não se explicam. Teria ela cansado da vida fácil? Teria ela se apaixonado por este homem tão desinteressante (para maioria das pessoas)?
 Deus quando cria heróis e heroínas vai tão fundo. Ela é melhor que todas as mulheres. E provavelmente mais feliz e resolvida do que a maioria. Mas ela quer tanto uma máquina de secar roupa. E uma cozinha maior também. Este tipo leitor é muito raro. Muito. Nossa que sorriso ela tem!!!