quarta-feira, 13 de julho de 2011

16 final

Para ler este último capítulo é necessário ler os 5 primeiros. As cinco postagens anteriores a esta. 


 Constantinopla, o restaurante, estava mais cheio do que o dia anterior. O delegado Elias ainda não havia chegado. Bom ainda eram nove horas. Acontece que em lugares pequenos, como o Cacau,  as pessoas nunca se atrasam, não existe o trânsito como desculpa.
 Uma outra garçonete de nome Márcia veio me receber. Perguntei por Catarina, a garçonete que me atendera no dia anterior e soube que ela, Catarina, não aparecera para trabalhar. Provavelmente estava doente. Disse-me Márcia e também Lucas um outro garçom. Uma pena. Aproveitei o atraso de Elias para fazer alguns telefonemas. Assim que desliguei do último ele surgiu. Eram nove e dez.
 “Oi Victor. Desculpe o atraso.”
 “Imagina, fiquei aqui conversando com Lucas e a Márcia. Aproveitei para pedir um vinho.” A menina riu, enquanto servia Elias que acabara de sentar-se.
 “A minha garçonete preferida não apareceu hoje.”
 “Quem é?”
 “Catarina.”
 “Catarina. Claro.” Falou o delegado.
 “Você a conhece Elias?”
 “Victor, o Cacau é um lugar muito pequeno. Não há muitos lugares para se ir fora o Constantinopla, o Alpendre e o Kiwi.”
 “Entendi. Eu vou de pato com batatas.” Pedi para Lucas que anotava os pedidos.
 “E eu este risoto.” Elias apontou para um prato no cardápio. E os dois garçons se afastaram. 
  Depois ele me perguntou se eu estava, apesar de tudo, passeando e conhecendo as praias. Eu disse que já as conhecia de longa data. Mas dificilmente no inverno. Quando há poucos veranistas. Disse ainda, que a região estava transformada.
 Falei sobre o terreno que Juca tinha me oferecido. Nesta última fala ele levantou os olhos.
 “Que horas foi isso Victor?”
 “Umas seis da tarde.”
 “E por que você não foi encontrá-lo?”
 “Ele disse que tinha combinado de jantar com a esposa.”
 “A esposa?”
 “Sim.”
 “Você tem certeza que ele disse a esposa?”
 “Sim tenho.” De repente ele começou a olhar para o infinito e parecia que tinha caído a ficha de algo.
 “Victor, eu disse que não tinha um suspeito. Mas tenho.”
 “E quem é?”
 “Juca.”
 Quando Elias me falou isso fez todo o sentido para mim. Juca, com uma imobiliária própria, bonito, com carro. Faz seus próprios horários. Eu mesmo quando o vi pensei que até Luana ficaria caidinha. Até eu achei um cara simpático, sedutor. Imagine as vítimas, meninas de dezesseis anos. 
 “Meu Deus! Porque é mesmo que Catarina não veio hoje?”
 “Eles não sabem. Provavelmente ficou doente.”
 “Victor, o Juca mentiu. Ele não foi encontrar-se com a esposa e sim com Catarina.”
 “Como você pode saber disso Elias?”  
 “Porque a esposa dele é Márcia, a garçonete que nos atendeu.”
 Aquilo me assustou. 
 “Você acha que a Catarina está em perigo? O corretor é realmente um suspeito?”
 O delegado Elias não me respondeu. Apenas fez outra pergunta.
 “Você vem comigo?”
 “Onde?”
 “Não há tempo para explicar. Temos de agir. A vida da menina está em perigo.”
 Nem cancelamos a comida. Saímos correndo do Constantinopla e pulamos dentro da viatura. Elias sacou a arma. E em cinco minutos estávamos a alguns metros da imobiliária Sun Time, do outro lado da rua.
 “Espere-me aqui vou entrar na frente.”
 Pude ver o Delegado empurrar a porta que estava destrancada e entrar dentro da imobiliária. Minutos depois ouvi dois tiros. Ele então surgiu na porta e me fez sinal para eu sair do carro e atravessar a rua. Passamos pelo escritório e entramos numa espécie de quartinho. Os dois corpos estavam lá. O de Juca e o de Catarina.
 O delegado me explicou que quando entrou Catarina já estava provavelmente morta, a pauladas, e Juca surpreendido tentou atirar no delegado. Mas Elias foi mais rápido e liquidou Juca.
 Parecia que o caso havia sido resolvido. E o delegado tinha cumprido o dever. Era óbvio que Juca e Catarina tinham um caso. Mas isto era a única coisa real naquilo tudo.
 Elias estava de costas para a porta quando eu vi dois homens entrarem e o agarrarem pelo pescoço. O delegado foi desarmado e imobilizado com algemas.
 “Você está preso Elias.”
 O delegado não podia crer que o seu investigador Douglas e o delegado de Bertioga, Jacinto, acompanhado agora por mais três policiais militares, o estavam prendendo.
 “O que é isso Douglas? Eu peguei o criminoso, um assassino em série e você me coloca algemas?”
 “Você delegado matou um homem inocente. Juca já estava a mais de três horas morto. Você sabia dos encontros dele com Catarina. Veio aqui e o matou. Depois ficou esperando por Catarina, que você sabia que viria aqui também antes de entrar no trabalho no restaurante. Eles costumavam se encontrar neste horário.”
 “E por que eu faria isto?” Quis saber Elias.
 Agora foi o delegado Jacinto quem respondeu:
 “Para nos fazer crer que foi Juca quem matou aquelas três meninas e também o garoto Foguinho. Mas nós já desconfiávamos de você depois que Foguinho e a jornalista nos procuraram. No início achei que ele era um bandidinho com rancor de ter levado certa vez uma surra de você. Ele nos deu o nome de duas testemunhas que o teriam visto tanto na praia saindo do mar com a jornalista ainda boiando na água, bem como em companhia das três garotas assassinadas.”
 “E você vai acreditar nestes garotos delinqüentes?” Gritou Elias.
  Agora era o investigador Douglas quem falava:
 “No início não. Um garoto assaltante não serve como testemunha de acusação de um delegado. Mas daí ele morreu, e investigamos se senhor delegado conhecia as vítimas. Hoje mesmo as testemunhas que viram o senhor em companhia delas, viraram cinco. Temos agora cinco testemunhas Elias. Foi mais ou menos na hora em que o Victor entrou em contato com o doutor Jacinto em Bertioga.”
 “É! Ser filho de bicheiro tem suas vantagens. Liga direto para o secretário de segurança!” Gritou Elias.
 “O senhor Montale é um jornalista respeitado, por isso atendi ao telefonema.” Jacinto foi ponderado. Tínhamos que agir rápido. Entrei em contato com Douglas e por sorte ele estava passando por aqui e viu a sua viatura na frente da imobiliária. E viu também você saindo aí de dentro há poucos minutos e indo encontrar Victor no Constantinopla. “Como você pode ver Elias, você estava sendo fotografado e monitorado.”
 “Eu estava investigando o Juca. Ele se envolvia com meninas, como está aí que ele matou.”
 Desta vez fui eu:
 “Elias, as outras três vítimas eram loirinhas e branquinhas, tinham dezesseis anos e foram estupradas. Catarina é mulata, tem vinte e um anos e nunca foi estuprada por Juca. Se não ela não viria aqui dia sim, dia não. Ela não tem o perfil das meninas que você mata. Sabe-se quantas já foram neste mundo.”
 “Ela vinha aqui escondida!” Gritou Elias.
 “Escondida porque como você mesmo disse, ela é colega de trabalho de Márcia a esposa de Juca. Ele era casado, tinha de ser escondido. Você aproveitou o fato para tentar fazer crer que o assassino em série era Juca e não você.”
 “Mas como você chegou nestas conclusões absurdas Victor?”
 “Foi você quem disse, para fazermos tudo direito, correto, dentro da lei não foi Elias? Então eu fiz. Chamei a polícia. Eu acredito nela.” 
 Elias ainda não podia crer na minha abilidade. Ele pensava que eu não passava de um gay e tonto. Por isso tive que lhe contar seu outro deslize.
 “Você roubou o computador errado. Luana guardou o verdadeiro na recepção da pousada. E adivinhe? Estava tudo lá, fotos, nomes de testemunhas, documentos e até vídeos de foguinho. O menino tinha um dossiê completo sobre os crimes. Não só das meninas, mas também da chantagem e propinas que você recebia para fazer vista grossa das obras ilegais. Mas não fique triste. Meu editor me prometeu capa da revista nesta semana. Você será conhecido no Brasil todo, até na sua terra em São José dos Campos.”
 Tirei uma máquina e com a permissão dos policiais, comecei a fotografar tudo. Inclusive os corpos. Antes de sair eu falei por último, olhando nos olhos de elias:
 “Você é um nada.”
  Aquela noite depois que o levaram eu segui para o bar do Cacau. Encontrei as pessoas da praia que iam sabendo na notícia do delegado Elias preso. Muitos comemoravam, acho que o delegado não era muito amado no Cacau. Bebi muito.
 Dia seguinte fui à praia logo de manhã. O tempo estava mais fechado, nublado. Para minha surpresa, Ricardinho estava na praia, de sunga. E não que aquele magrelo tinha uma bundinha?
 Comecei a chorar. Minha amiga não estava vingada. Por mim eu teria matado Elias com um saco plástico, teria feito ele morrer asfixiado. Mas não é o que a Lu gostaria que eu fizesse. Quando liguei o computador estava tudo lá. Somos jornalistas. Ela merecia aquela reportagem, afinal foi a sua última. Por isso não mexi na parte já feita por ela, mas adicionei outros desfechos que ela não pode saber. 
 Cai de joelhos na areia. Eu chorava muito. Ricardinho me levantou. Eu o olhei e disse:
 “Obrigado.”
 Não preciso dizer que nos dias seguintes fiquei preocupado com o emprego o seu emprego. De ele, Ricardinho,  ser pego comigo na cama. Ele se revelou um amante e tanto. Mas qual não foi a minha alegria ao acordar alguns dias depois, e Ricardinho me mostrar a Revista, com o título: 16.

 Dezesseis. Por Luana Benevides e Victor Montale.

 Começava mais ou menos assim:

 Muitos sabem dos problemas e das maravilhas do Litoral Norte de São Paulo. Principalmente a costa sul com seus dezesseis quilômetros de praias. O que não enxergamos ou ainda vemos, mas não queremos enxergar é a juventude deste lugar. Meninos e meninas que são gastos não pela maresia e pelo tempo, mas por descaso tanto do poder público como do privado. Conheci Foguinho por acaso. Um menino brilhante, cheio de vida, bonito como a natureza deste lugar, porém triste pessimista. Ele vive com medo e vive atormentado, pois sabe o nome do assassino de três meninas. Três amigas que como ele, elas deixaram o mundo aos dezesseis anos. E quem se importa? Afinal não eram turistas e sim locais.

 Se o leitor quiser saber mais, compre a revista na banca. Ou visite a região no inverno. Mas vá com a alma livre e aberta. Não suje a praia, nem tão pouco seus habitantes. Você não irá se arrepender. Os locais costumam repetir uma frase de um antigo morador de lá:

“Um dia longe de Juquehy é um dia a menos na vida.”   


   


16 Capítulo 5

O leitor deve ler os capítulos 1, 2, 3, 4 anteriores para poder avançar no 5. Valeu.

Sentei-me numa barriquinha de praia e pedi uma água de coco. Abri a pasta lá estavam algumas fotos, datas e descrições dos crimes. Pessoas que haviam sido interrogadas. Eram meninas de cabelos longos, lisos. Todas branquinhas, embora morassem na praia. Talvez a minha primeira constatação, eram todas com estereotipo caucasiano. Européias do norte, eu não sei ao certo o  nome que se dá. Alemãzinhas? E magras. Pelas fotos elas eram magras de cabelos lisos e compridos. Mas que adolescente não é magra? Se bem que hoje em dia, com tantos carboidratos a disposição.
 Se Luana não reagiu, pelo menos não havia marcas em seu corpo, posso concluir que uma: Ela não tinha medo do assassino, pois era alguém conhecido dela, ou alguém conhecido como um salva vidas?  Como Foguinho? Duas foi surpreendida. 
 Uma coisa eu sei, este criminoso é um local. Seria impossível ele se relacionar com as vítimas, ou mesmo não ser visto perto de onde os corpos foram encontrados sem ser alguém que não chamasse a atenção. Todos reparam quando turistas ficam ou beijam uma local.  
  Certa vez li que quando se cruza com um Serial Killer, não há nada a fazer ele vai te matar. Sei. Gostaria de cruzar com um desses.
 Levantei nos olhos daquela pasta, dei um gole na água de coco. Aquele mar tão lindo na minha frente. Céu totalmente azul. Como o litoral paulista é tão mais interessante no inverno que no verão. Só pessoas realmente da praia e pouquíssimas.
 Nunca entendi como alguns de classe média alta chamam estes jovens locais de: “Gente feia”. Para muitos na capital bonitos são apenas pessoas com carros blindados e empregados. Já eu consigo ver sensualidade nas pessoas independente da classe social.
 Nada de inclinação a esquerda não. Apenas uma sensibilidade aos verdadeiros desejos. Não que isso me ajude a investigar e a entender os criminosos. Porque como diz no filme do Batman, criminosos não tem complexidade nenhuma. São criminosos e ponto.
 Na praia, estes jovens locais jogavam futebol. Outros se preparavam para uma capoeira. Algumas meninas riam em pé próximas a mim. Pediam que o dono da barraca, um tal Nicó, tocasse violão. Quando dei por mim Nicó me mostrava algumas poesias em seu caderno.
 Incrível como é fácil fazer amizades no litoral, porque embora esta gente tenha contato com turistas do mundo todo, sim o litoral paulista recebe gringos, muitos, claro que gringos residentes da capital São Paulo. Geralmente executivos de grandes empresas que vem com suas famílias, trazidos por outros brasileiros. E toda fauna de paulistanos, peruas, mauricinhos, surfistas, moderninhos, hippies... Ou seja, apesar de interior e muito, 5 mil habitantes, os locais não são ingênuos nem bonzinhos e um tanto até cosmopolitas.
 Não falo dos caiçaras em especial.
 Estes caiçaras gostariam de se convencer de que antes dos turistas, e os nordestinos, paranaenses o litoral era um paraíso. Um lugar onde todos eram iguais e não havia exploração do homem pelo homem. E que tudo de ruim foi trazido pelos turistas. Você leitor já ouviu falar de um lugar assim? Eu não, só em histórias.
 Alguém pode dizer que em maior escala a analogia serve para explicar a nossa colonização dita de exploração. Mas Victor pare de ser prolixo. Voltemos a nossa investigação.
 O fato é que com uma natureza dessa e uma juventude que embora use drogas tem corpos sarados e lindíssimos. A vida sexual destes jovens é bem resolvida. O problema deles é outro. Adolescentes grávidas, violência do tráfico, difícil acesso a cultura, a educação. Uma menina de São Paulo não tem tempo. Esta sempre correndo. Cursinho, vestibular, estágio, academia... Aqui não.
 Quando uma menina se desvia da rotina em São Paulo, logo é notada. Ou foi matar aula, ou seqüestrada, ou está doente. Aqui na praia não. Se uma menina desaparece por horas, ou até um dia todo, ninguém dá falta. O criminoso sabe disso.
 “Ei mina vamos dar tiro de cocaína? Mas vamos já, não conte para ninguém.”
 “Vamos”.
 Em São Paulo, em primeiro lugar homens adultos não se aproximam de adolescentes. Ok, na periferia sim. Mas na classe média é visto como anormal.
 Será que eu estou no caminho certo? Será que o criminoso tinha um carrão, era mais velho do que as vítimas e as impressionava com seu poder econômico? Ou poderia ser alguém como este Nicó, dono da barraca, e bom de papo. O maníaco do parque não era assim?
 Acontece que Luana iria sacar o maníaco do parque na mesma hora. A não ser que ela estivesse enganada em relação à identidade do criminoso.
 Toca o meu celular. É Juca o corretor.
 “Falei com um cliente e arrumei um terreno perfeito para você Rui!”
 Eu já estava ficando angustiado com as minhas reflexões sobre os assassinatos e seria uma boa idéia um colírio daquele me levar para passear e ver terrenos.
 “Juca e estou tranqüilo agora, podemos ir lá ver? Eu estou no Piabú.”
 “Desculpe Rui, mas pode ser amanhã eu fiquei de ir jantar com a minha esposa hoje”.
 “Claro eu entendo. Amanhã é ok para mim também.”
 Foi aí que eu o ouvi dizer: “Droga este cara de novo!”
 “O que Juca?”
 “Nada Rui. Eu tenho de desligar.”
 E bateu o telefone na minha cara. Começou a anoitecer e eu me despedi dos novos amigos. Disseram-me para ir à noite ao único bar de Piabú e Cacau. Eu disse que talvez fosse, o que fez a alegria das garotas. Coitadas mal sabem elas. Se eu fizesse este sucesso com os homens...  
 De volta ao hotel, pousada. Lá estava a tal Verônica tomando espumante.
 “Rui onde você estava? Foi na praia?”
 “Oi querida, não. Quer dizer eu fui conhecer a praia do Piabú.”
 “Nossa tem uma gente feia lá, não é?”
 “Você diz uns locais, nordestinos e caiçaras?”
 Ela fez uma cara de aprovação. “Isso mesmo, uma baianada. Um cheiro. E você ainda corre o risco de ser assaltado.”
 Ricardinho observava tudo ao longe. Mas qual não foi a sua surpresa quando um hospede que havia a pouco se registrado gritou:
 “Vic! Vic! Você por aqui?!?”
 Era Marcelo um amigo antigo do pólo aquático. Mal pude tentar explicar a confusão para Verônica. O fato é que Marcelo e Verônica se deram bem logo de cara.
 “Servido?” Ela perguntou para ele, enquanto Ricardinho me puxava. Depois de entregar uma taça para Marcelo. 
 “Então é você!!!!!” O rapaz estava muito eufórico. “É você Rui? Diga-me você é Vic?!” Ele parecia estar diante da revelação de um messias. Não podia desapontá-lo. 
 “Sim eu sou o Vic.”
 “Não acredito. Então é você!"
 "Sim sou eu." Mas o que era aquilo afinal?
 "Eu achei que Vic era uma mulher.”
 “Do que você está falando?”
 E aí eu descobri a coisa mais surpreendente de Lu. Ela pediu a Ricardinho que guardasse o computador e não entregasse a ninguém, exceto a mim. Victor.
 “Ela disse só eu e Vic podemos pegar este computador. E me fez repetir isto três vezes. Ela era maluquinha. Quando eu perguntei quem era Vic, ela disse: Você vai saber quando Vic aparecer. E você vai gostar.”
 Luana embora nunca tenha jogado pólo aquático, era uma excelente jogadora. Eu sempre fui banheira ou pivô no pólo. Alguns acham que a posição que mais precisa-se de força. Mas não é só isso. É preciso também enganar o adversário. Colocar um outro falso jogador para tirar o verdadeiro marcador de cima. Pretender que se é canhoto, quando se é destro. Fingir falta, quando a falta não existe. Eu era bom nisso e Luana mais dissimulada ainda.
 Por isso roubaram o computador falso. Ela tinha dois. Ótimo. Por outro lado talvez esta dissimulação seja que a tenha colocado em risco. Bom já estava ficando tarde e eu tinha um jantar para ir.